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Postagens

A História de Tudo

Havia uma rua, com árvores, e alguém a atravessava. Tudo ali era um pedaço de Universo.
Um pedaço da vasta história de tudo.
A pessoa que a atravessava. O chão. As árvores. O vento que soprava.

Cada átomo e molécula uma combinação de combinações em uma grande e infinita caixa de peças de montar. Encaixe como queira. Pegue um pouco de estrelas, um pouco de dente de sabre, um pouco de cometas, um teco de folhas de hortelã. Ali vai uma bicicleta.

Cada canto para o qual olhava, via uma infinidade de possibilidades.
Não viu aquela galáxia, velha conhecida, colidindo consigo.
No chão, riram. Ondas se propagando por todo o espaço. Ergueram-se. Sorriram.

Era nébula. Nefertiti. Pétalas de rosa e gotas de mar do pacífico.
Era asteroides. César. Marfim e casca de salgueiro.
A vastidão da amazônia na imponência de Júpiter, olho no olho.

O Universo. É. Simplesmente. Desde quando começou a ser. Sem mais, sem menos. Apenas reorganizando-se como uma lista de pensamentos, uma sucessão de pastas. Combinando-se…
Postagens recentes

À Luz da Manhã

Para Matheus e João.
Ouça. Crescer é como correr descalço na areia. Os pequenos grãos tocam sua pele e você sente, mesmo com a maciez do movimento ou o impacto suave, a aspereza do solo. A sensação é incômoda, mas ao mesmo tempo libertadora. Você para, então, e olha ao redor. Olha as marcas de seu pé no caminho que fez e o modo como, em alguns momentos, eles foram suaves e quase imperceptíveis e, em outros, foram largos e espalhafatosos. Você olha para o outro lado e vê o quanto ainda há para ser marcado. O som do oceano chega aos seus ouvidos e a brisa sopra seus cabelos e você sorri: está bem ali, entre onde já correu e para onde ainda vai correr. Mas, no fim, você só quer sentir seus pés afundando na areia enquanto o mar sopra sua canção ao vento.
Crescer é como subir uma colina de grama verde molhada pelo orvalho da manhã. Você quer saber, mais do que tudo, o que há do outro lado: serão montanhas ou vales? Serão córregos ou lagos? Que tipos de árvores haverão para serem escaladas? …

Sobre os meses sem novas postagens

Estudar é difícil. Você tem que usar seu tempo para isso e acaba não dando a atenção que devia para as outras coisas da sua vida, no meu caso, a escrita. E meu blog.

Então, o motivo para meu sumiço absoluto é esse (além de alguns acontecimentos no meio do caminho que sugaram minha força de vontade). Porém, estou ajeitando o caminho para voltar, talvez não com tudo ainda, mas voltar.

Preparem-se, "Letícia is coming".

Dentro em breve novas postagens, algumas de alguns textos escritos ao longo do ano e outras de textos escritos agora. E é isso aí.

Obrigada pela atenção!

Saudade

Saudade.

Saudade de palavras. Saudade de sonhos. Saudade de segurar em uma caneta e caçar palavras para compor sonhos. Saudade de ver as palavras e sonhos de outros.

Saudade.

Saudade de ânimo. Saudade de aprender. Saudade de aprender com ânimo, todos os dias, dia após dia. De sentir paixão pelo que se aprende.

Saudade.

Saudade de acordar. Saudade de sentir. Saudade de acordar e sentir que há muito para se ver. De então ver a vida e senti-la.

Mas a maior saudade é de quando não havia cansaço. Este cansaço de tudo. E desejar que passe, e desejar que escoe. Para que então voe de volta para o que se tem saudade.

Saudade, por fim, de quando o mundo não era cansado e feio, mas sim feito... de sonhos, palavras e paixões... e do ânimo exuberante que tocava cada alma que nele habitava.

Saudades...

Sarjeta

Olhe. Um pequeno quadro, um momento. Ali, por onde homens de calça social passam apressados e mulheres de sapatos baixos esticam-se para o outro lado, há um retrato. Ninguém o vê. Ninguém o quer. Passam ao seu lado, passam por cima, passam. Os poucos que o olham não veem realmente o que há para ser visto. Enxergam um obstáculo e mal percebem o mundo refletido ali, naquele espelho plácido que espera pacientemente por alguém que o olhe.
Um garotinho joga uma folha de papel. Um segundo para captar o rosto do menino não é o suficiente. Uma perturbação. Espera.

Um homem passa olhando o além. Mas por que, por que não olha? Não consegue ver, bem ali, a beleza que está esperando por alguém?
Vejo o céu, azul, puramente azul, com nuvens doces e a árvore emprestando sua cor verde. Enquanto todos olham para o concreto, olho para o infinito. O tempo todo vejo o infinito e seu temperamento conturbado: ora ensolarado, ora tempestuoso. Ora azul e verde, ora cinza e vermelho.
Naquela singela tarde cap…