Pular para o conteúdo principal

Chá de cadeira

Se não quer tomar um, não leia. Eu falei pacas kk

Já ouviu essa expressão, chá de cadeira? É quando você fica muito tempo sentado esperando alguma coisa. Pois é. Ontem experimentei as delícias (ou não) de um chá de cadeira.

Guarda isso na cabeçinha. Arquivou? Beleza, vamos continuar.

Sabe quando você assiste aquele filme ou série de médico (tipo House, haha, amo) e você pensa "cara, como será que é trabalhar aí?!". Não digo na série filme, digo no hospital. Eu já pensei muito isso. Seria bem legal experimentar um corre-corre de hospital, ver como é um corpo humano DE VERDADE, sem esquemas em livros, ver médicos, ter os conhecimentos de médicos... seria tudo! Mas medicina não é pra mim, sabe, é tenso ter a vida de uma pessoa nas suas mãos. Muita responsabilidade.

Agora, lembra do que você tinha arquivado, do chá de cadeira? Não lembra? Ok, lê o começo do post de novo pra lembrar. Lembrou? Ok, então vem comigo.

Ontem fui com minha mãe para o hospital porque ela não se sentia bem e até que na sala de espera foi rápido. O problema foi quando a médica falou "você vai ter que ficar no soro". É, minha mãe ficou no soro. TRÊS HORAS. Mais ou menos isso.

A partir do momento em que sentei na cadeira e minha mãe começou a tomar o soro, começou uma nova aventura na minha vida.

Eu me senti no House. Sério. Aqueles médicos andando de um lado pro outro, enfermeiros, acompanhantes de pacientes, pacientes... O problema é que o hospital tava meio acabadinho, precisando de uma reforma e eu estava em uma cadeira em um corredor de 2m de diâmetro (mais ou menos) ao lado de uma porta de sala de repouso. É.

Algumas coisas notáveis:

O happy-hour dos médicos. Saindo do plantão deles, à noitinha. Eu achava que era só em filme que médica parecia top model. NÃO! Elas usam o monte de coisas que as médicas de filme/série usam. Sério. Tinha uma que era a cara da "thirteen" do House, a Olivia Wilde. Só que ela tinha uma pisada errada, então acabou com a classe.

Tinha uma com bota preta. Ela passou primeiro com cabelos ao vento e cara de Meryl Streep em "Diabo Veste Prada", aquela cara de "suma daqui, mero mortal". Depois de cinco minutos volta com os cabelos presos e uma cara doce de "sou um anjo". Eu falei "Caraca, bipolar" :O

Tinham muitas estilosas, muitas anjinhas e um médico de pólo listrada (rosa e azul, o que me lembra o quadro, rosa e azul) que me parecia meio do outro time, se é que me entende. Eu vi essa gente toda de organizando pra ir embora (isso inclui exibir celulares e fofocar ali do meu lado, ouvi tudo, muahahaha) e comer em um restaurante que segundo uma médica que ia ficar de plantão era maravilhoso (por acaso, ela já me atendeu lá, que graça).

Depois, fiquei olhando os uniformes dos enfermeiros e funcionários. Tinha tanto tipo que fiquei confusa. Mas enfim. Um enfermeiro que chamou atenção foi um negão com cabelo estilo cogumelo. Mas não cogumelo de criança, também conhecido como tigelinha. NÃO. Era raspadinho na lateral e depois tinha uma bola, tipo um cogumelo de explosão de bomba atômica!!! QUE PORRA É ESSA (como diria Felipe Neto)??? QUEM USA UM COGUMELO DE EXPLOSÃO NA CABEÇA??? Eu não tava conseguindo segurar o riso (nas primeiras 3 vezes que o vi. Depois acostumei. Pra você ter noção de quanto tempo fiquei lá).

Daí tinha o Hammer. Já viu Iron Man 2? Não? Perdeu muita coisa, sério. Já viu? Ótimo, vem comigo. Tinha uma sala (Admissão, tô pra entender o que é isso) com um cara IDÊNTICO a esse Hammer. Sério mesmo. Só que menos afetado (quem viu o filme entende o que digo com o "afetado"). BEM menos afetado.

Esse Hammer do Hospital era safadinho. Tinha uma moça com uma senhora, as duas fazendo sei lá o que ali, e quando ele viu a moça, disse "nossa você por aqui?" e os dois dera um abraço EXTREMAMENTE afetivo. É. Mas do tipo "tô querendo" mesmo. E eles conversando também. E daí ela foi embora toda suspirante.

Agente vê cada coisa hoje em dia.

Por falar em ver cada coisa, teve mais um "QUE PORRA É ESSA??" (to acabando, prometo). Uma mulher chegou de salto, com uma maquiagem horrível, um vestido de losangos roxos e brancos, carregando três bolsas e umas quatro sacolas com cara de poderozona. QUE QUE ISSO MEU? Fiquei muito chocada com a situação, sério mesmo. Quem deixa uma coisa dessas entrar? Minha mãe sugeriu que ela estivesse visitando uma nova mamãe. Eu acho que ela ainda era um figura digna de "QUE PORRA É ESSA".

Mas tá. Tiveram muitos eventos. Foram três horas, gente. Vi meu antigo professor de religião (o Zé Paulão ebaa haha), minha mãe fico ouvindo aquelas mulheres fofoqueiras que mesmo no soro tem capacidade de contar a vida toda, eu vi uma maca de emergência (aquelas que tem coisa pra amarrar a pessoa e tudo) a uns 20cm de mim...

E eu acho que foi uma experiência legal. Sentir um pouco um clima de hospital sem estar doente ou visitando recém-nascidos. Apesar do Hammer do Hospital, da mulher das sacolas, do homem-cogumelo, das mulheres falantes, das médicas divas... Foi emocionante e engraçado. Tirando a dor no joelho depois, isso não foi engraçado. E a dor na mão agora, de digitar isso tudo.

E, durante várias vezes, eu me pegava pensando em tudo isso como se tivesse falando com meus amiguinhos. Estranho.

Pra completar a noite, quando fui embora, no taxi, passei do lado de um muro todo pichado e escrito, enorme: ALOOOOOOOOOKA!

Comentários

  1. ASUAHSAUSHU DIA LOUCO MANO SÉRIO MUITO LOUCO

    ResponderExcluir
  2. ameeeeeeeeeeeeei, sua gênia LSPEJSPLJEL quero tomar um chá de cadeira ctg. Sério!

    ResponderExcluir
  3. HSLKAHSLKAH brigada meninas *-*
    foi louco mesmo '0'

    e você pode tomas chá de cadeira comigo a hora que quiser. sério SHAKLHSKL

    ResponderExcluir
  4. FICO MUITO BOM
    hehe
    mt bom mesmo

    ResponderExcluir
  5. AAAAAAAAAAAH QUE LINDOS VCS, SÉRIO :')))

    ResponderExcluir
  6. filhinha!!!!!!!
    Amei, mesmo, e muuuuuuuuito obrigada por ter tido tanta paciência com a mamãe... Pode crer que isso me fez sentir muito melhor. Beijoquinhas!

    ResponderExcluir
  7. genial, de verdade
    gosto das observações que você faz, minha escritora linda

    ResponderExcluir
  8. Por isso acho que chá é uma coisa boa.
    Olha quanto bem fez a nós todos.
    Muito divertido isso.

    ResponderExcluir
  9. Chá de cadeira produtivo assim, é até legal de levar.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Obrigada pela visita! Deixe um comentário e compartilhe com os amigos!

Postagens mais visitadas

Peões

Hoje, somos peões.

Na grande batalha da humanidade por um passo a mais, um nível a mais em direção à utopia que imaginamos, nós somos os peões.

Há sangue. Há dor.

Há a busca pela aceitação. Somos um. Um grande pequeno pedaço de um enorme universo. Isso é lindo. Isso é esquecido. Enterrado abaixo de muita sujeira e palavras de dor, de culpa, de ódio.

Há busca pela verdade. Porque mentem e enganam, ou porque muitos se intitulam proprietários das respostas para tudo e aqueles que creem nessas respostas lutam cegamente por elas. Ou mentem e enganam e tiram dos outros tudo aquilo que têm.

Busca-se dignidade. Busca-se justiça. Busca-se orientação.

Há a destruição de tudo o que se vê. Tudo o que existe em perfeito equilíbrio na grande engrenagem da vida... desequilibrada, e não há remorso por isso. Há morte, há destruição e não há quem veja que destruir o meio é destruir a si.

Destruir o próximo é destruir a si.

Uma palavra de ódio. Um galho arrancado. Uma liturgia mal pregada. Um lí…

Então... Um Rosto na Multidão

Eu quero lutar. Você não vai me ver parar. Porque eu sei que o mundo precisa de mudanças e elas precisam começar de algum lugar, mesmo que seja por causas menores (ainda que não existam causas menores). Você não vai me ver desistir, você me verá batalhando.
Posso ser apenas mais um rosto na multidão, mas é exatamente isso que quero ser, porque é isso que uma multidão é: um monte de rostos, bravos, querendo algo mais. Então, venha ser mais um rosto na multidão ativista, e não na passiva. Seja mais uma voz gritando seus direitos.
Não é possível que você não se incomode. Mesmo que sua vida esteja boa, assim como a minha, que você possa estudar, ter seu emprego, ter sua comida, comprar suas coisas (não tudo o que você quer, mas uma coisa ou outra), não é possível que você olhe para o mundo em sua tv ou computador que você lutou para comprar e não sinta nada ao ver... ver como há pessoas que não tem comida e água e que estão doentes, ver pessoas na seca do sertão com o gado morrendo e cria…

A História de Tudo

Havia uma rua, com árvores, e alguém a atravessava. Tudo ali era um pedaço de Universo.
Um pedaço da vasta história de tudo.
A pessoa que a atravessava. O chão. As árvores. O vento que soprava.

Cada átomo e molécula uma combinação de combinações em uma grande e infinita caixa de peças de montar. Encaixe como queira. Pegue um pouco de estrelas, um pouco de dente de sabre, um pouco de cometas, um teco de folhas de hortelã. Ali vai uma bicicleta.

Cada canto para o qual olhava, via uma infinidade de possibilidades.
Não viu aquela galáxia, velha conhecida, colidindo consigo.
No chão, riram. Ondas se propagando por todo o espaço. Ergueram-se. Sorriram.

Era nébula. Nefertiti. Pétalas de rosa e gotas de mar do pacífico.
Era asteroides. César. Marfim e casca de salgueiro.
A vastidão da amazônia na imponência de Júpiter, olho no olho.

O Universo. É. Simplesmente. Desde quando começou a ser. Sem mais, sem menos. Apenas reorganizando-se como uma lista de pensamentos, uma sucessão de pastas. Combinando-se…