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Esteriótipos

Sabe quando você olha ao seu redor e vê pessoas com aparência que nunca imaginou que veria na vida? Ou quando você olha e vê que você é a única pessoa que está ali, parada, enquanto todos estão reunidos em um outro lugar que provavelmente deve ser bem melhor.

Esse fim de semana foi assim.

Sexta-feira, 5h da tarde, todos à caminho do Gonzaga, um bairro com muitas lojas, três shoppings, dois cinemas e onde todos vão quando querem sair. É. Só que quando eu e meus quatro amigos queridos chegamos lá, descobrimos algo surpreendente: apenas NÓS estávamos lá. Todos os adolescentes da cidade provavelmente estavam em casa se arrumando para ir para o show do tal "Restart". Nada contra todo mundo gostar disso, só que eu não gosto. Nem meus amigos.

E eu conheço pessoas que não estavam no Gonzaga e nem no show. Porque não gostam do Restart. Tá. Então os meus amigos que não gostam ficaram e casa, e os desconhecidos no show. Pelo menos eu acho isso... Porque todo mundo falava daquele show.

Dai eu começo a pensar nos esteriótipos. Lá devia haver de tudo. Porque nem na praça que os metaleiros/emos/coloridos/góticos/darks/qualquer coisa ficam, tinha gente. SIM, caro leitor, NEM OS METALEIROS estavam em sua adorada praça. Eles podiam estar em casa, mas podiam estar no show. E se eles estivessem no show do Restart, algo muito estranho está acontecendo com o mundo.

Mas meu foco não é o show. O foco são os esteriótipos da tal praça. No dia seguinte, como por magia, a praça lotou. Pra começar, os vendedores de figurinha repetida (com caixas e caixas lotadas de figurinhas) encheram metade da praça. Tinham milhares de pessoas comprando e trocando figurinha ali, e um pipoqueiro que se meteu ali no meio fez a festa. Nunca vi aquela praça tão lotada.

Deviam fazer isso mais vezes.

Mas, quando me sentei ali na praça, do outro lado (porque não queria ficar na multidão) percebi que ali era MUITO legal. As luzes da avenida, as pessoas passando e a praia...

E tinham três coloridos (é, porque o show do Restart já tinha acontecido na noite anterior, então podiam voltar pra praça), uns caras que fiquei com muita vergonha de passar na frente e ver o que eram e uns metaleiros.

NUNCA em meus dezesseis anos de vida eu vi pessoas como aquelas. E no bom sentido.

Qualquer um ficaria com medo. Mas fiquei encantada. Havia um garoto alto e magro, com camiseta preta do Guns & Roses, botas pretas, calça jeans, jaqueta preta e uma guitarra/violão nas costas (além do cabelo preto comprido, mas um comprido limpo, não aqueles compridos com cara de sujo) e todos os acessórios de metaleiro. Ele usava luvas de couro pretas. Era muito diferente de tudo que já tinha visto.

Ele tinha dois amigos. Um loiro de cabelo comprido com camiseta do Iron Maiden (se não me engano), calça jeans, e todo o resto como o da guitarra/violão, mas com um diferencial: o lenço vermelho amarrado na mão e o outro pendurado no bolso da calça. O terceiro garoto era mais simples, com a camiseta do Led Zeppelin, mas ainda assim era completamente diferente de tudo que tinha visto. Todos esses caras deixaram meus amiguinhos e conhecidos que se dizem "do rock" lá do chinelo (talvez mais que isso).

Ouviu, Gouvea? VOCÊ NÃO É METALEIRO! Nem a pau. Aqueles caras são muito mais impactantes.

Eu fiquei intimidada de estar ali. Eles não davam medo. E apesar do que todos pensam que esse pessoal usa, aão aparentavam ter tatuagens e não tinham piercings. E eles eram muito legais de se observar.

Mais cedo, no McDonald's, eu vi um cara completamente tosco, por exemplo. Ele misturou Geek com Emo, colorido, Rock, sei la mais o que. Ficou FEIO. Não misture estilos se você não sabe misturar meu amigo, sério.

E o cara com aqueles óculos escuros bizarros e o amigo dele com um headfone ENORME, multicolor, que se via a 3km de distância... sem comentários.

E dai eu fiquei pensando em como temos ideias prontas sobre as pessoas e como podemos estar completamente enganados. Um metaleiro não precisa dar medo. E um colorido não precisa ser brega com uma calça laranja neon e a blusa azul piscina PÁ. Um emo não precisa ser deprimido, um Geek não precisa ser irritantemente inteligente, um Preppy não precisa ser nariz em pé com seu dinheiro, um contry não precisa ser caipira... e assim vai.

E eu não preciso ser nada disso. Quer dizer, eu penso no que eu sou da vida. E eu não acho que sou alguma coisa. E apesar de alguns pensarem que sou uma tiete alucinada, eu sei que sou muitas outras coisas, e não apenas uma tiete. É. Mais ou menos isso.

Esse post tá ficando uma caca perto do "Chá de cadeira", eu sei. Não me linche. Mas não foi engraçado o fim de semana. Só foi mais uma experiência legal, onde eu vi pessoas que nunca tinha visto (sério, você não vê pessoas daquele tipo andando no shopping, pelo menos não por aqui). Foi diferente e algo que tenho certeza que meu professor Almir iria adorar ver.

Devia ter ido lá ano passado pra poder fazer o trabalho de sociologia sobre tribos.

Pra terminar, o ponto comédia do meu fim de semana: a moça que derrubou suco no chão do McDonald's. Todo mundo VIA que tava molhado e todo mundo PISAVA no molhado. Teve gente que escorregou, incusive. Agente riu. Muito. Na cara deles.

Porque as pessoas tem que ser tão retardadas as vezes?

Comentários

  1. Ouviu, Gouvea? KKKKKKKKK Rashei

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  2. tadinho do gouvea, ele só é disfarçado...acho que você não tem que se fantasiar de uma coisa pra mostrar que gosta dela, assim como também não se devem fazer julgamentos baseados no esteriótipo. Muito bom o post amiga!

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  3. Filha:

    Todos os seus posts são maravilhosos; mas vc tem que prestar atenção no "agente" e em alguns cacos na ortografia,tá? Mas, como sempre, é uma delícia ler o que vc escreve. Bjs

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