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Mostrando postagens de Novembro, 2010

Sem Palavras

Santos, 16 de Novembro de 2010

À você que entende,

Desculpe-me o sentimentalismo. Não faço ideia do por que disso agora. Ou talvez faça, mas não seja corajosa o suficiente para demonstrar. E perdoe-me também a extensão de minha carta, mas era necessário contar tudo. E ainda acho que fui bem sucinta, por assim dizer, no que pretendia. Poderia falar muito mais.

Mas vamos ao princípio: quando era uma criança me envolvi num mundo de onde nunca mais poderia sair. Era o mundo de palavras, frases, idéias e sentimentos. Me foi muito sedutor, logo de início. O modo como se moldavam, essas tais palavras, ao som da voz de minha tia, me acertou em cheio. Me olharam com olhos de... ressaca. É, de ressaca. Me inundando, me tomando. E então tive certeza de que era aquilo mesmo que eu gostava.

Anos se passaram e as palavras me apareceram em quantidade, como uma chuva torrencial de verão: quentes por causa do sol e, mesmo assim, refrescantes; também por causa do sol. Elas invadiram minha cabeça e meu …

Baby, You Can Drive My Car

Fazia muito tempo que não vivia uma aventura digna de virar história. Aquelas aventuras bem ridículas, que nos fazem rir muito, tipo a do famoso "Chá de Cadeira". Mas então hoje aconteceu, finalmente. E, pela primeira vez, foi uma com meu pai.

Fomos dar uma volta no shopping, e não aconteceu nada demais lá (apesar de eu ainda odiá-lo. O shopping, não meu pai. Porque não superei aquela coisa tosca que fizeram com ele, que já comentei em outro post, naquelas reformas absurdas). O problema foi na saída.

Já viu a história do cavaleiro sem cabeça? É meio assustador, não é (pelo menos a intenção era que fosse)? Agora imagina um CARRO sem BATERIA. Não sei dizer se é mais ridículo ou mais assustador. Veja bem, se você estivesse lá ia dar umas boas gargalhadas, pelo meu ponto de vista.

Chegamos no G3, que é descoberto, e estava a maior ventania. Meu pai foi tentar ligar a pick up. Ela não pareceu nem tossir. De novo. Cof. Mais uma vez. Nada. Dai é que ele percebeu que tinha deixado …

Legalizar o Vício?

Drogas. Destroem o organismo, são responsáveis por grande parte da violência atual e são um dos assuntos mais polêmicos. Não porque as pessoas discutem se ela faz mal ou não. Isso, até os usuários sabem (ou espera-se que saibam). A polêmica está, entre outros aspectos, na legalização ou não do uso dessas drogas, como a maconha. Claro, já existem as legais, como o cigarro. Mas, será que se legalizarmos as outras drogas, não seria um benefício?

O tráfico de drogas é um fato conhecido. Ele existe porque estas são ilegais, assim como sua produção e venda. Então um grupo de "mafiosos" começa a produzir e vender ilegalmente as drogas para os usuários. E são estes traficantes os culpados por grande parte da violência na cidade, de modo direto (confrontos com a polícia que acabam envolvendo pessoas inocentes), ou não (usuários de drogas que roubam pessoas para conseguir mais dinheiro para comprar mais droga). É basicamente um círculo vicioso.

Só que o tráfico só acontece exatamente …

É você mesmo?

O relógio marcava duas da manhã. Seu tic-toc ecoava pelo saguão quase vazio. Quase, porque havia um homem e uma mulher sentados num banco bem no centro. Estavam de costas um para o outro e, sendo assim, não podiam se ver, apenas se ouvir. A moça fungava.

- Você está bem? - ele perguntou, desviando o olhar de suas mãos.
- S-s-sim, claro. Ogrigada.
- Bom, não me parece que você está bem. Se quiser, pode me contar. - disse com voz gentil, mas cabisbaixo. Esperou.
- Estou com um problema - ela disse por fim - não sei o que fazer.
- Pode me contar qual é o problema?

Ele se pegou imaginando o rosto da moça. Eles não tinham se visto ainda, por mais estranho que possa parecer. Estavam sentados lá a horas, desde quando o saguão do metrô estava apinhado de pessoas. E ali continuaram até agora.

- Não sei. Não conheço você e... - ela respondeu envergonhada.

Ele riu baixinho.

- Tudo bem. Mas eu também estou com um problema.
- Sério? Qual?
- Acho que também não deveria contar. - disse um pouco div…

Molhada Tarde de Verão

- Cuidado!

Era calor, muito calor mesmo. Aqueles típicos de Janeiro. Mas chovia. Vinha de todos os lados, aquela água gelada, acertando-os em cheio.

Eram dois times, inicialmente. Mas em menos de cinco segundos, virou cada um por si. Era melhor assim, pensaram. E então corriam para lá e para cá, com balões e armas de plástico.

- Eu vou te pegar! - gritou a menina de cabelos cacheados, correndo atrás do garoto loiro. Era uma desvantagem, na verdade, considerando-se que era metade dele em altura e velocidade. Ele correria bem mais rápido.

Mas, quem se importa com isso de verdade?

A garota loira se juntou à de olhos verdes e agora as duas enchiam um balão enorme. Pena que não notaram o moreno correndo até elas e explodindo um jorro de água fresca em cada uma.

Boom. Ploft. Eram esses os sons que se escutava, intercalados com gritos e gargalhadas.

Depois de um tempo, acabaram-se os balões e o fôlego. Se jogaram na grama, gargalhando de monte. Mas não ficaram ali por muito tempo. A piscina…

Orgulho

Entra no palco. Estalos de todos os ângulos a olham. É chegada a hora.

Girava lentamente, com as mãozinhas acima da cabeça, na ponta dos pés. Os olhos fechados sentiam a música e seu ritmo tranquilo, o piano tocando lentamente. Era uma caixinha de música. A expressão compenetrada em finalizar sua arte. Era o momento de brilhar e mostrar a todos o quão boa podia ser.

Sentado na terceira fila, a olhava com atenção. O balanço de sua saia ao vento, os acordes, sincronizados. Seu coração palpitava em seu peito, com uma emoção que nunca sentira igual. Não sentia empatia, pois a expressão que ela lhe mostrava era de tranquilidade e seu coração estava longe de sentir isso. Era apertado, era alegre. Sentia vontade de sair correndo e pulando por ali, gargalhando.

É curioso o que um piano tocando tranquilamente podia fazer. Silêncio. Cumplicidade. Concentração. E a mesma vontade de correr gargalhando sob o sol. Ia e vinha, ia e vinha. Agudo, grave. Não haviam moscas porque o único zunido era o s…

Seu Reflexo, Sua Imperfeição

Eu ia mandar para o Bloínquês, mas desisti. Enfim, aproveitem.



O quarto. Era seu reduto, onde tudo acontecia. Contavam histórias aquelas paredes e móveis. Estava sozinho, mais uma vez. Um leve cheiro de mofo vinha do assoalho e penetrava sua pele, consumindo-o. O rangido da madeira se assemelhava ao de seus próprios ossos, se encontrando a cada passo. A tinta da parede descascava como sua pele, escamosa. Seus cabelos eriçados, revoltados como o monte de tralhas em um canto.

Submisso, era o que era. Nunca erguia a cabeça, nem mesmo para si no espelho. Espere, espelho? Não conhecia mais a face de lá nem de cá. Todas pareciam uma e uma parecia todas. Esquisitas, inocentes na expressão, ferozes no olhar. Manchadas e marcadas.

Ali em seu reduto afogava suas mágoas em fumaça. Dores lancinantes atingiam sua mente, provocando a dor no peito de quem sofre. O porque, já não sabia mais. Fazia tanto tempo... Mas seus olhos não negavam. Revoltados como a maré, ardentes como o inferno, gritavam com…