11 novembro 2010

Orgulho

Entra no palco. Estalos de todos os ângulos a olham. É chegada a hora.

Girava lentamente, com as mãozinhas acima da cabeça, na ponta dos pés. Os olhos fechados sentiam a música e seu ritmo tranquilo, o piano tocando lentamente. Era uma caixinha de música. A expressão compenetrada em finalizar sua arte. Era o momento de brilhar e mostrar a todos o quão boa podia ser.

Sentado na terceira fila, a olhava com atenção. O balanço de sua saia ao vento, os acordes, sincronizados. Seu coração palpitava em seu peito, com uma emoção que nunca sentira igual. Não sentia empatia, pois a expressão que ela lhe mostrava era de tranquilidade e seu coração estava longe de sentir isso. Era apertado, era alegre. Sentia vontade de sair correndo e pulando por ali, gargalhando.

É curioso o que um piano tocando tranquilamente podia fazer. Silêncio. Cumplicidade. Concentração. E a mesma vontade de correr gargalhando sob o sol. Ia e vinha, ia e vinha. Agudo, grave. Não haviam moscas porque o único zunido era o seu próprio.

E então os corações, nervos, cordas, se acalmam tão rápido quanto se animaram. Não precisavam mais disfarçar a emoção em máscara serena, pois agora todos explodiam em conjunto. O calor de um abraço, lágrimas paternais, sorrisos. Missão cumprida.

Fechou a tampa da caixa e olhou pela janela. Bons tempos aqueles em que conquistava uma platéia com piruetas. Sua miniatura, dada de presente pelo espectador favorito, com a música da primeira apresentação ficava ali, pronta para tocar todas as vezes que quisesse se lembrar.


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