15 dezembro 2010

Operação Feliz Natal

Já ouviu falar naquele filme "Operação Valquíria", que é baseado em uma história real, sobre os soldados da SS que montam um esquema para matar o Hitler mas no fim das contas acabam todos mortos? Bom, foi algo muito bem planejado, esquematizado e no fim deu super errado.

Guarda isso na gavetinha do seu cérebro e venha comigo.

O Natal se aproxima e tudo o que se pensa nessa época é o que? Preparar a casa, comprar presentes, sortear amigo secreto, ver o cardápio da ceia... Pois é (esse "pois é" virou mania), agora é que vem a história que eu quero contar.

Lembra do Operação Valquíria? Pois bem (agora eu mudo pra dar um ar de quem não é repetitivo), não é comparável em magnitude e seriedade, mas é comparável em esquematização, planejamento. E, dependendo do ponto de vista, em "fail".

Uma informação aos desavisados
"Fail" é uma palavra em inglês que significa "falho" e que ultimamente se tornou gíria entre os adolescentes.

De qualquer forma, o negócio foi o seguinte: Minha família se reúne anualmente para decidir o cardápio de Natal e Ano Novo e para sortear o amigo secreto.

Você que está pensando "xi, isso vai dar uma daquelas histórias ridículas que a Letícia adora contar", pode crer que está corretíssimo o seu pensamento. Eu vou contar uma história com alguns acontecimentos risíveis e que, provavelmente, você que reúne a família no Natal e Ano Novo vai se identificar.



Chegamos na casa de minha tia avó e estava indo tudo muito bem. Minha madrinha, meu tio e os meus priminhos foram os últimos a chegar. A combinação de cardápio já tinha começado. Mas o mais incrível é que todo ano é a mesma coisa e eles SEMPRE se reúnem. POR QUE discutir algo que já tá mais que discutido? E POR QUE mesmo com tudo discutido, continuam discutindo?

Não é discussão de "sair no tapa" nem nada. Mas poxa.

Enfim, começa a listinha. "Natal" a pessoa que vai ficar de caixa (que sempre é minha tia que mora comigo ou meu tio que chegou depois) diz, o que no caso foi minha tia. Ficar de caixa significa comprar as coisas com o dinheiro que todo mundo vai dar pra vaquinha. Não o animal. Ah, você entendeu. Então eles começam.

"Eu farei o tender!"
"Ok, tender. Anotado"
"Tem que ter a maionese"
"Eu faço" (pessoa que sempre faz a maionese diz)
"A farofa, você faz, não?"
"Claro, faço sim" (a pessoa que sempre faz a farofa diz)

Combinados os alimentos de sempre que serão feitos pelas pessoas de sempre, vem a parte da sobremesa.

Dai eu e o meu priminho mais velho (que foi uma das variações da reunião desse ano, porque como está maior gosta de participar e opinar) começamos:

"Mousse de Limão!" (aquela feita sempre pela mesma pessoa, a mesma que faz a farofa, mas é tão boa que é uma das coisas que não queremos variar)
"Eu quero cocada"
"Podia fazer..."
"Mousse de Limão! Mousse de Limão!"
"Mousse de Limão anotada"
"Uhul!"

E a rabanada, claro, porque parece que não há Natal sem rabanada (mas eu gosto então não reclamo). Mas o legal é que entre tudo isso tem aquelas discussões sobre o nada, conversas paralelas e...

"Mas eu quero fazer arroz doce!"
"Mas você vai fazer três pratos E arroz doce?"
"Qual o problema?"
"Todo mundo vai fazer um prato e um doce, ou dois pratos, ou dois doces"
"Eu não gosto de arroz doce, por que tem que fazer?"
"Mas eu quero fazer!"
"Se vai fazer arroz doce tem que fazer letria pra mim, porque não gosto do arroz doce"

No fim, eu nem sei se vai ou não ter o bendito do arroz doce.

Depois veio o Ano Novo. E alguém queria fazer lombo. EU queria MACARRÃO PRIMAVERA. Só que as pessoas não gostam de variar. Estava "faltando alguma carne" e acabaram tirando lombo e pondo pernil, e tiraram meu MACARRÃO PRIMAVERA. Não sei se é algo contra mim ou o macarrão, mas, segundo eles, não combinava com o resto.

Só porque eu queria variar um pouco.

Depois veio a bebida e ficaram um quinquilhão de anos discutindo o que seria (como se, de novo, eles não tivessem já a certeza do que ia acabar ficando no fim das contas). O mais legal é ver eles falando "mas você vai tomar o vinho ou a cerveja".

O cambada, se liga, como você sabe o que você vai tomar dali umas três semanas? E se sua vontade mudar? E se você não puder ou não quiser beber o que tinha escolhido? Então como você vai decidir "no dia eu vou tomar vinho"? Daí vão os que querem cerveja comprar uma meia dúzia, porque são duas pessoas, e dai no dia eu APOSTO MEU DINHEIRO SUADO QUE GANHEI COM DOZE HORAS DE TRABALHO COMO FIGURANTE (cinquenta reais) que vai mais uns vinte querer a cerveja lá no dia.

Mentira. Não tem vinte pessoas que bebem nessa parte da família (a que se junta para ceiar no Natal e Ano Novo). Tem umas dez.

Dai sortear o amigo secreto foi moleza. E fomos embora.

Você acha que acabou? Não, não.

Amigo secreto é outro Fail nas semanas antecedentes do Natal. Na minha escola ia ter o amigo secreto do livro. O clube do livro tem oito pessoas, contando comigo e a professora que coordena o clube. Só três, contando comigo, apareceram no clube do livro no dia do amigo secreto, e nenhum deles era a professora que coordenava. Esse foi um SUPER FAIL. Só que o bom é que nós três bobões participantes assíduos pegamos o livro um do outro certinho, como queríamos (porque nem sequer sorteamos).

E o amigo secreto de barra de chocolate da classe? Metade esqueceu, daí quem levou o chocolate teve que sortear de novo. Por que as pessoas se comprometem com uma coisa se depois elas não vão poder cumprir?

Por falar em chocolate, ontem fizemos na escola uma operação envolvendo tesouras e garfos (o garfo fazia papel de bisturi) para repartir uma barra de chocolate da Cacau Show, onde estava escrito "feliz natal", entre quatro pessoas. Rolou foto da operação e tudo. Eu era a operadora, aliás. Nesse caso o único "Fail" foi o fato de repartirmos com o maior cuidado no meio do pátio, pagando o maior mico, para comer o chocolate em três segundos e sujar as mãos (porque está um calor incrível por aqui).

Agora você pergunta a relação disso tudo com Operação Valquíria. Pra falar a verdade, eu também não sei. Mentira, eu sei sim. A ideia surgiu partindo o chocolate, porque falaram "nossa, que operação" e eu disse "é, operação valquíria". Dai minha relação de todas essas coisas "pré-natal" com a história foi muito simples: caminhos tortuosos para um objetivo só.

Claro que a tortura disso tudo foi só calor, muitas pessoas falando ao mesmo tempo, ou algo assim. Nada comparável ao que os soldados passaram. Mas enfim.

A diferença maior de todas é que o final da história é sempre feliz, com a comida gostosa e presentes. Mas, mais importante que isso, um momento de união e felicidade com a família e os amigos, celebrando o nascimento de uma criancinha que aconteceu a 2010 anos atrás.

Caramba, eu disse criancinha?

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