Pular para o conteúdo principal

Rotina da Noite

Em qualquer lugar, em qualquer dia.

Querido Ídolo,

Pouco importa seu nome e tampouco o meu. Basta apenas dizer que sou sua fã. Não sou partidária dos rótulos, principalmente esses "ídolo" e "fã". Ídolo soa algo grandioso e divino demais. Você é apenas alguém que admiro e apoio, alguém que faz coisas que me fascinam. E eu a pessoa que te faz ter vontade de continuar, quando tudo está perdido. Não que me sinta importante assim. Só repeti o que você mesmo já disse.

Mas como ia dizendo, seus atos me fascinam. E como. A movimentação, o sentimento, aquele sorriso e o brilho nos olhos, além de todo o banho de emoções que nos transmite com seu trabalho, a vontade. Tudo tão inspirado. Tudo tão inspirador.

Seu trabalho muda o mundo, de alguma forma. No mínimo, muda o mundo daquelas pessoas, que por falta de nome chamo de fãs, que quando entraram em contato com tudo o que você é, se sentiram decolando em um balão de ar quente, para bem longe.

Todos os dias você salva pelo menos uma vida, mesmo que não saiba, com suas palavras, com as ações, a poesia e a canção em você. Uma dessas vidas foi a minha. Quantas vezes nesses anos que esteve comigo (mesmo que não soubesse fisicamente disso) você não me ajudou? Me aninhou em seu colo quente e fraterno, sussurrou palavras bonitas para mim. Seja lá o que precisasse, ter você me bastou.

Já fui do tipo que grita e se descabela. Mas não sou tiete. Sou mais aquela admiradora amiga, torcedora, espectadora, irmã. Sigo seus passos positivos e tomo os negativos como lição.

Sou grata por aquilo que me proporcionou e espero te dar algo em troca um dia. Minha vida segue junto à você. E, quando longe, sinto aquele desespero em te tocar. Mas logo acaba, porque recordo que tenho você sempre para quando tudo mais faltar.

Então, à noite, conto ao meu travesseiro todas as nossas aventuras, em um sussurro. Mostro a ele como é voar num balão. Empolga-se e pergunta mais, então respondo. E é assim minha rotina da noite.

Gostaria que lesse essa carta e me respondesse com, pelo menos, um olá. Pode aparecer, se quiser, será bom te ver. Quero novas histórias para contar ao travesseiro.

Sempre ao seu lado,

Fã número um.

Comentários

Postagens mais visitadas

Eu odeio gripe

Sabe, eu poderia falar de muitas coisas. Poderia falar do aquecimento global, das eleições, das pessoas babacas... Mas não.

Vou falar da minha garganta.

Porque estava indo tudo bem. O frio estava chegando sem nariz escorrendo, garganta inflamada ou coisa assim. Eu ia montar um altar pra alguém (não sei quem, mas ia) em comemoração a isso, porque é um milagre eu não ter ficado com absolutamente nenhuma marca da mudança de tempo.

Mas então hoje, do nada, minha garganta ficou irritada.

Sabe quando fica difícil de engolir, coça, e parece que você poderia tossir para sempre? É assim minha situação agora.

Eu, pessoalmente, acho que é castigo. Porque, mentalmente, "caçoei" das pessoas que tinham ficado assim. Não foi bem um "ahaha, você está doente e eu não". Na verdade foi mais um "nossa, ele tá doente e eu tô na boa!".

E agora aqui estou.

E, sabe o mais cômico? Tá um frio do caramba e a única coisa que alivia minha garganta (comprovado por mim mesma ao longo do…

Real Demais

Caminhou tremulamente até a ponta. Olhou para baixo e viu o mundo. Estava tão no alto, tão superior às pessoas e carros minúsculos lá embaixo... Até os outros prédios pareciam pequenos. Resolveu sentar-se.

Sua espinha congelava enquanto se movia lentamente, para sentar-se. Precisou forçar tanto sua coluna para baixo que sentiu que ela era um pedaço de gelo quebrando-se. Seu braço estava arrepiado. Ela odiava alturas.

Não poderia arriscar olhar para cima, porque seria tão ruim ou pior. A imensidão sobre sua cabeça lhe causava arrepios, principalmente estando sentada em um lugar tão... instável. Se desequilibraria mais facilmente ainda.

Ficou parada um tempo, decidindo para que ponto olhar. Percebeu que manter a cabeça reta e os olhos baixos não lhe trazia aquela sensação... horrível. A cabeça girava, tudo ficava preto, o coração acelerava...

Tum. Tum. Tum.

Ela se virou e revistou a mochila. Tirou algo de lá e, lentamente, esticou uma perna para baixo. Depois se arrastou para frente co…

A História de Tudo

Havia uma rua, com árvores, e alguém a atravessava. Tudo ali era um pedaço de Universo.
Um pedaço da vasta história de tudo.
A pessoa que a atravessava. O chão. As árvores. O vento que soprava.

Cada átomo e molécula uma combinação de combinações em uma grande e infinita caixa de peças de montar. Encaixe como queira. Pegue um pouco de estrelas, um pouco de dente de sabre, um pouco de cometas, um teco de folhas de hortelã. Ali vai uma bicicleta.

Cada canto para o qual olhava, via uma infinidade de possibilidades.
Não viu aquela galáxia, velha conhecida, colidindo consigo.
No chão, riram. Ondas se propagando por todo o espaço. Ergueram-se. Sorriram.

Era nébula. Nefertiti. Pétalas de rosa e gotas de mar do pacífico.
Era asteroides. César. Marfim e casca de salgueiro.
A vastidão da amazônia na imponência de Júpiter, olho no olho.

O Universo. É. Simplesmente. Desde quando começou a ser. Sem mais, sem menos. Apenas reorganizando-se como uma lista de pensamentos, uma sucessão de pastas. Combinando-se…