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Mostrando postagens de Fevereiro, 2011

Areia Fervente

Foi uma tarde ardente. A areia branca se revoltava ao toque da sola de seus pés. O calor subia com os grãos e descia do azul do céu. Gotas grossas de suor escorriam pelos seus corpos.

Subiram na rampa e foram até o pequeno expositor, mais para o centro da barraca. Eles logo começaram a fuçar. Ela foi mais delicada. Olhou os títulos, procurando pelo mais atraente. Devia chamá-la, devia adivinhar seu nome.

Era um volume velho, com a figura de um homem em fundo azul. Letras amarelas mostravam o título, "A Noite da Vingança". Ele sussurrou um chamado.

A garota esticou a mão lentamente e tocou a capa surrada. Um choque não passou pelo seu corpo, tampouco o cenário ao seu redor se dissolveu. Na verdade, tudo o que ela sentiu foi certeza.

Pegou o livro da estante, assinou o caderno de presença e enfrentou o sol ardente de verão novamente. Mas agora não havia mais sede, não havia suor, não havia cansaço. Ela tinha um novo companheiro, pronto para levá-la para outro lugar bem longe d…

Cores Dançantes

Existe uma coisa que acontece nos dez minutos finais de cada ano. Claro, a coisa se extende durante todas as últimas vinte e quatro horas, mas nos dez minutos finais é que o negócio "pega fogo".

Durante as horas do último dia do ano acontece toda uma preparação de festa, pessoas indo na praia ficar lá até a virada (pelo menos aqui, onde tem praia), arrumar a casa para receber a família, corre pra lá, corre pra cá. Uma agitação, uma espera. Desejos, pedidos, esperanças.

Uns aqui e ali ficam nostálgicos. Deprimidos. Mas acaba logo.

Nos dez últimos minutos, ninguém se preocupa mais. Porque correm para pegar seu champagnhe, seu refrigerante, seus parentes. Correm até onde vão ver os fogos, com uma máquina fotográfica, e vão sorrir. Vão contar os minutos.

Então uma explosão de cores em chamas toma o céu. As estrelas se apagam para o espetáculo à frente. Ninguém mais se desconhece, o mundo é um só. As cores dançam todos os ritmos pelo céu. A música explode aos seus ouvidos. Gritos…

Rosa Sobre Cinza

A corrida ia sair caro. Mas nada que umas notas a mais funcionassem. Valeria a pena no fim, pensou. A chuva caia fria e cinza sobre os altos prédios, escorrendo pelo vidro que o separava do mundo lá fora. As gordas gotas de chuva aumentavam o brilho melancólico das luzes dos carros.

O tempo passou como navalhas em seu estômago e a chuva caiu como o tique-taquear do relógio. Os olhos piscavam pesados, mas seu cérebro não descansava, a mil. Queria vê-la, saber a reação. De vez em quando se pegava imaginando se seus órgãos não estavam mais interessados em vê-la do que ele mesmo, tamanha a agitação.

Depois de um tempo, a chuva parou, deixando para trás o molhado, a lama e o cinza. Depois, parou seu carro. O tempo pareceu passar tão devagar, mas ele havia corrido tanto... E agora tinha que chamá-la.

Buzinou uma vez.

A porta se abriu lentamente. Uma moça arrumada saiu de dentro da casa, olhando para o carro. A expressão era séria, mas ele notou seus olhos se arregalando e brilhando por um …