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Mostrando postagens de Maio, 2011

Bolinha, Mindy e Nós

Protelei durante muito tempo - anos, na verdade - o momento de sentar e escrever sobre meus bichinhos de estimação (que são, na verdade, duas mocinhas). Depois protelei mais ainda essa semana inteira o instinto que crescia em mim de "preciso escrever sobre isso". Mas, enfim, aqui estou.

Fiquei na dúvida sobre que título escolher. Primeiro seria "A casa das sete mulheres", pois moramos em cinco mais as duas "crianças". Acabei optando por "Bolinha, Mindy e Nós". Não sei exatamente o por que, mas foi assim que decidi.

Olhos Reveláveis

Estavam todos em um passeio de fotos. Ela tinha doze fotos para tirar e depois ser avaliada pelo professor. Precisavam ser perfeitas.

Esforçara-se tanto para conseguir aquele curso... Convencer os pais não fora fácil. Mas agora lá estava ela. Em seu primeiro passeio com o grupo, sua câmera na mão, seus olhos atentos. Não deixaria escapar nada.

Odiava perder uma boa foto. Tantas vezes a vi reclamar "droga, porque não trouxe a câmera?" ou "droga, porque tinha que acabar a bateria?". Era sempre um momento não gravado, um momento que só ela se lembraria. Isso a enlouquecia.

As fotos eram suas amigas, suas palavras, seu brilho. Refletiam uma ideia, uma visão ou um sentimento. Era um espelho de seu interior. Fotografar era o que queria passar o resto de seus dias fazendo.

Olhou ao redor, sentada em uma mureta de pedra, procurando em meio ao verde um tom que merecesse ser lembrado. Viu ao longe as montanhas e aquele tapete de árvores vindo na sua direção. Teve uma ideia.

Amor Primaveril

A garota caminhava distraída. Usava botas curtas, meia-calça florida, uma saia branca e um casaquinho. Tinha os cabelos castanhos compridos caídos. Não balançavam ao vento porque não havia vento. Havia apenas uma extensão enorme de terra, uma secura desgastante. Carregava uma tela e um lápis. Olhou ao redor, do céu azul sem nuvens até os horizontes vazios, procurando inspiração. Foi aí que ouviu.

Em algum lugar alguém tocava fracamente uma doce melodia primaveril. Seus olhos vasculharam o deserto e então viu no céu as nuvens chegando rapidamente. Eram feitas de algodão doce. Seguiu na direção de onde vinham.

Chegou a um rapaz sentado a um piano, de onde saía a melodia. Aproximou-se e ele a olhou, pelo canto do olho. Tinha cabelos negros e olhos escuros. Sorriu um convite. A moça deixou a tela e o lápis em cima do piano e sentou-se ao seu lado, apoiando a cabeça em seu ombro.

Sentiram o cheiro um do outro. Então ele começou a tocar com mais vontade a melodia das estações. O deserto d…

A Música da Estrada

Lá estava ele novamente na estrada, caminhando tranquilamente e olhando ao redor. Na mão a maleta com o seu melhor amigo e companheiro de profissão: o violão. Não era nada demais, não. A marca não era daquelas mais caras e já não era tão novo. Mas cuidava tão bem do dito cujo... Sentava-se e limpava-o, afinava-o, olhava com paixão. Era o filho dele, a mulher de sua vida, seu pai, seu irmão. Era o mundo em suas mãos, ao seu comando.

Espera... Eu disse que o violão estava ao seu comando? Ah, nem o músico sabia quem comandava o que ali. Quando começavam com uma nota e não paravam nunca mais, ele tinha bastante certeza de que era um trabalho no qual os dois pensavam juntos.

O músico mandava apenas no caminho, pois era ele que tinha as pernas. E, sendo assim, escolhia as platéias. Tive sorte de ser uma delas. Caminhava, apenas, disseminando seu dom. Ensinava uns aqui e outros ali. Nunca parava. Diziam a ele que iria explodir se continuasse assim. Mas era do que ele vivia e do que gostav…

A Trilha

Estava frio. A noite caía sobre a cadeia de montanhas e a leve brisa fria não movimentava mais a água do rio. Havia dois céus com inúmeros tons de azul e laranja.

Uma boa noite para descansar.

Quatro pares de pés andavam até o montinho que estavam montando, colocando mais madeira. Sentaram-se em pedras que estavam por ali e acenderam o fogo.

O calor os aqueceu e a brisa fria que antes gelava seus rostos era agora só um sussuro. Picadas de mosquitos e pequenos cortes eram apenas isso e nada mais. Feridas que cedo ou tarde cicatrizariam.

As enormes montanhas escureciam rapidamente enquanto o grupo brincava de atirar pedrinhas no lago. Libertação.

Melhor no lago do que uns nos outros.

- É engraçado - disse um deles - como o tempo passa rápido. Começamos a subir a trilha no morro e era dia claro. Agora está quase noite.
- Depois da noite sempre vem um dia claro. Vai amanhecer antes que note.

Curioso é pensar que isso nunca tem fim, esse claro para escuro e vice-versa.

Já era noite e a ún…