Pular para o conteúdo principal

Amor Primaveril


A garota caminhava distraída. Usava botas curtas, meia-calça florida, uma saia branca e um casaquinho. Tinha os cabelos castanhos compridos caídos. Não balançavam ao vento porque não havia vento. Havia apenas uma extensão enorme de terra, uma secura desgastante. Carregava uma tela e um lápis. Olhou ao redor, do céu azul sem nuvens até os horizontes vazios, procurando inspiração. Foi aí que ouviu.

Em algum lugar alguém tocava fracamente uma doce melodia primaveril. Seus olhos vasculharam o deserto e então viu no céu as nuvens chegando rapidamente. Eram feitas de algodão doce. Seguiu na direção de onde vinham.

Chegou a um rapaz sentado a um piano, de onde saía a melodia. Aproximou-se e ele a olhou, pelo canto do olho. Tinha cabelos negros e olhos escuros. Sorriu um convite. A moça deixou a tela e o lápis em cima do piano e sentou-se ao seu lado, apoiando a cabeça em seu ombro.

Sentiram o cheiro um do outro. Então ele começou a tocar com mais vontade a melodia das estações. O deserto de repente começou a cheirar a cores e mais cores, com árvores nascendo e grama se estendendo como um tapete. Ao fundo um belo lago se enchia e pássaros voavam no céu. O lápis desenhava na tela, como mágica, uma árvore que nascia logo ali, enquadrando tudo em uma bela gravura. A vida brotava como mágica.

Uma flor desabrochava ali perto, grande e suntuosa. Entre olharam-se. Prontos para um doce beijo...

- Corta! - gritou o diretor - Bom trabalho, intervalo, agora.

Levantaram-se. Montes de maquiadores vieram em suas direções. Trocaram os olhares de desprezo costumeiros.

- Não gosto dele - Ela disse.
- Não gosto dela - Ele disse.
- Mas vocês combinam tanto, tem tanta química! - a maquiadora dela falou chocada - tanto que foram escolhidos como par para a propaganda do perfume!
- É, acontece - ela deu de ombros.


Comentários

  1. Tenho que repetir que você é perfeita e esse texto também? Ah tá, me avise se precisar. Fui a primeira a ler LALALA eu acho né. um beijo :*
    Te amo, Let

    ResponderExcluir
  2. amo seus textos, muito, muito mesmo! ;*

    ResponderExcluir
  3. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  4. kkkkk deu ódio esse final mas eu achei perfeito o texto muito bonito!
    beijos!

    ResponderExcluir
  5. Nossa, criativo demais, adorei! A 'história dentro da história' ficou ótima, me encantei.
    Flor, obrigada pelo comentário e desculpe a demora em responder. Foi culpa do problema que deu no blogger e sumiu com vários comentários meus por algum tempo, voltando só há poucos dias.
    Beijos, tô adorando seu blog! :)

    ResponderExcluir
  6. Primeiro gostei do seu blog de cara por causa das imagens dos cães.

    Agora sobre a postagem, tuas palavras me prenderam e poucas fazem isso. Adorei o conteúdo e se tratando de amor eu paro e leio.

    Bom, acabou de ganhar uma nova seguidora viu. parabéns por tudo aquo. :D

    ResponderExcluir
  7. Obrigada meninas, vocês não fazem ideia do quanto isso é importante :)

    Espero continuar cativando vocês com meus textos e tudo o mais. Qualquer coisa é só falar, viu?

    E vou fazer uma visitinha à vocês ;)

    ResponderExcluir
  8. Bons textos são canções para os olhos! Mandam a gente para um lugar que não há! Ou que pensamos que não existe!

    ResponderExcluir
  9. Como assim? Tão a minha cara a linguagem do texto! haha' Achei que seria algo com 'viveram felizes para sempre', mas é uma grande verdade sabia? Há aos montes casais de comercial. Atores. Que fingem muito bem amar.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Obrigada pela visita! Deixe um comentário e compartilhe com os amigos!

Postagens mais visitadas

A História de Tudo

Havia uma rua, com árvores, e alguém a atravessava. Tudo ali era um pedaço de Universo.
Um pedaço da vasta história de tudo.
A pessoa que a atravessava. O chão. As árvores. O vento que soprava.

Cada átomo e molécula uma combinação de combinações em uma grande e infinita caixa de peças de montar. Encaixe como queira. Pegue um pouco de estrelas, um pouco de dente de sabre, um pouco de cometas, um teco de folhas de hortelã. Ali vai uma bicicleta.

Cada canto para o qual olhava, via uma infinidade de possibilidades.
Não viu aquela galáxia, velha conhecida, colidindo consigo.
No chão, riram. Ondas se propagando por todo o espaço. Ergueram-se. Sorriram.

Era nébula. Nefertiti. Pétalas de rosa e gotas de mar do pacífico.
Era asteroides. César. Marfim e casca de salgueiro.
A vastidão da amazônia na imponência de Júpiter, olho no olho.

O Universo. É. Simplesmente. Desde quando começou a ser. Sem mais, sem menos. Apenas reorganizando-se como uma lista de pensamentos, uma sucessão de pastas. Combinando-se…

À Luz da Manhã

Para Matheus e João.
Ouça. Crescer é como correr descalço na areia. Os pequenos grãos tocam sua pele e você sente, mesmo com a maciez do movimento ou o impacto suave, a aspereza do solo. A sensação é incômoda, mas ao mesmo tempo libertadora. Você para, então, e olha ao redor. Olha as marcas de seu pé no caminho que fez e o modo como, em alguns momentos, eles foram suaves e quase imperceptíveis e, em outros, foram largos e espalhafatosos. Você olha para o outro lado e vê o quanto ainda há para ser marcado. O som do oceano chega aos seus ouvidos e a brisa sopra seus cabelos e você sorri: está bem ali, entre onde já correu e para onde ainda vai correr. Mas, no fim, você só quer sentir seus pés afundando na areia enquanto o mar sopra sua canção ao vento.
Crescer é como subir uma colina de grama verde molhada pelo orvalho da manhã. Você quer saber, mais do que tudo, o que há do outro lado: serão montanhas ou vales? Serão córregos ou lagos? Que tipos de árvores haverão para serem escaladas? …

Dia Três: Walmart e Downtown Disney

Dia 15... de Setembro, sábado.

A dois meses atrás, na hora que estou escrevendo isso, contando o fuso-horário, eu estava me arrumando, ou tomando café ou pegando o táxi. Alguma coisa assim.

Nosso café da manhã nesse dia foi o resto da pizza da noite anterior. Estive refletindo sobre o assunto e, sim, nós jantamos uma pizza enorme e linda e sobrou mais um monte para o café da manhã (e foi o que comi). A pizza americana não é tão boa quanto a nossa, mas também não é ruim. É aceitável, digamos assim. Apesar de que em certo ponto da viagem eu já não aguentava mais olhar pra dita cuja.

Só que eu adoraria olhá-la agora, afinal, significaria que estou lá, entende? Ok, prometo que parei.

Enfim, pegamos um táxi na porta do hotel. Vou falar um pouco do hotel, já que não tem muito o que ficar falando do Walmart. Tinha uma sala "Arcade", mas acabamos nem entrando nela porque não deu tempo, no mesmo corredor que (uma das) a entrada do "restaurante" e também a loja (uma miniatura…