Pular para o conteúdo principal

Bolinha, Mindy e Nós


Protelei durante muito tempo - anos, na verdade - o momento de sentar e escrever sobre meus bichinhos de estimação (que são, na verdade, duas mocinhas). Depois protelei mais ainda essa semana inteira o instinto que crescia em mim de "preciso escrever sobre isso". Mas, enfim, aqui estou.

Fiquei na dúvida sobre que título escolher. Primeiro seria "A casa das sete mulheres", pois moramos em cinco mais as duas "crianças". Acabei optando por "Bolinha, Mindy e Nós". Não sei exatamente o por que, mas foi assim que decidi.



Bolinha é uma porquinha da índia (é uma fêmea, pelo amor de Deus, não chame de ele). Ganhei de aniversário do meu pai, a alguns anos atrás. Era pequena, fofa e bem arisca. Não gostava que mexêssemos nela. Sempre muito assustada.

Cresceu descomunalmente. Tem uns trinta centímetros, agora, e é bem roliça, por assim dizer. Come muita escarola e fica com a boca toda verde por causa da água que sai da folha. Engana-se quem acha que Porquinhos da Índia comem como hamsters, segurando a comida. Bolinha e seus semelhantes não conseguem segurar as coisas. Ela apoia a patinha e dai parece que ela está segurando (tipo quando ela põe a patinha no seu dedo, é como ela segurasse sua mão). Bolinha dá beijinho. Se coloco o dedo na gaiola para fazer carinho, ela começa a lamber loucamente o dedo.

Odeia a liberdade. Podemos deixar a gaiola aberta que ela se nega a sair. Quando colocávamos ela no chão, ela ficava paralisada. Estranho, eu sei.

Papelzinho voando é a brincadeira favorita dela. Ela pica papel como ninguém e joga para o alto. Quando colocávamos casinha feita de caixa de papelão na gaiola, ela roía e redecorava tudo, uma arquiteta nata. Tem bichinhos e mais bichinhos, mas o favorito mesmo é o ratinho azul. Ele é como o bebê da Bolinha e ela adora lambê-lo e apoiar a cabeça nele.

Tem umas manias meio diferentes. Comidas que porquinhos normais adoram e ela detesta; enquanto os outros são "docilidade sob pelos", ela é "monstruosidade sob pelos": nunca tente limpar a gaiola dela quando ela não quer, pois vai levar belas mordidas.

Mas a pequena não está sozinha. Um ano e meio atrás, meu pai trouxe a segunda contribuição animal para casa: Mindy, a Yorkishire loura platinada. Com pêlos dourados e prateados, linda de morrer, Mindy chegou em casa adulta, com um passado bem triste. Graças a nós, ganhou uma vida de rainha, é o outro bebê da casa.

Chegou muito tímida e levou um bom tempo para pensar na casa como dela. Foi um processo lento. Durante alguns dias, esquecíamos que ela morava aqui, de tão silenciosa; hoje em dia, ao primeiro toque da campainha ou do interfone ela late e não para até ela ver que é uma de nós ou alguém mandá-la ficar quieta.

Adora uma rua. Adora pedir comida. Adora legumes (abobrinha é o petisco favorito). Mas em dia de frango assado ou bife (para as carnívoras da casa, claro), ela surta. Adora suas caminhas e suas cobertas e só liga para os brinquedos nos primeiros cinco minutos em que os ganha. O cachorrinho rosa é agora travesseiro.

É meiga até certo ponto. Quando não está afim, é melhor não insistir com ela. Mas a coisa mais linda é o momento que chegamos em casa. Corre para lá e para cá, loucamente, vira de barriga para cima e se sacode toda.

As duas são muito atenciosas e expressivas. As duas são a paixão nacional, encantam todos que as veem. As duas são os bebezinhos da casa. São filhas, são netas, são irmãs/primas.

Posso, as vezes, parecer distante. Mas sou assim com todos, na minha opinião. De qualquer modo, eu as amo como filhas, como primas, como irmãs... São tudo. É aquele amor que só os animais nos proporcionam. Aquele amor único que só quem amou um animal e foi amado de volta, sabe como é.

Eles fazem tudo por você e você retribui. Eles nunca vão te olhar com raiva, porque eles amam você mais do que a si mesmos. A vidinha deles se resume a você e é só isso que eles precisam: seu amor.

Nunca me esquecerei das músiquinas e apelidos para as duas. Da "monguinha" e dos chamados esfomeados (porque ô bichinhos famintos, parece que nem recebem comida direito). Das noites assistindo filmes ou American Idol na sala, as sete reunidas.

As duas são a maior alegria desta casa. Gastamos uma nota preta nelas, principalmente em remédios (porque a cachorra é cardíaca e a porquinha é epilética; isso sem contar todas as outras coisas que já tivemos que tratar que elas tiveram), mas não importa. É para o bem delas. É para nosso bem.

Eu as amo e sou grata a cada pequeno momento que vivi, vivo e vou viver com elas. Porque não há nada melhor do que chegar em casa e ser recepcionada por uma cachorrinha histérica e uma porquinha erguendo a cabeça.


Descanse em paz, Bolinha. Nós te amamos demais e sempre vamos te amar. Espero que no lugar em que você estiver agora, lindo e colorido, você tenha consciência desse nosso amor.

Comentários

  1. Faz até um carnívoro gostar dos animais bem vivos! E tratados dignamente!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Obrigada pela visita! Deixe um comentário e compartilhe com os amigos!

Postagens mais visitadas

A História de Tudo

Havia uma rua, com árvores, e alguém a atravessava. Tudo ali era um pedaço de Universo.
Um pedaço da vasta história de tudo.
A pessoa que a atravessava. O chão. As árvores. O vento que soprava.

Cada átomo e molécula uma combinação de combinações em uma grande e infinita caixa de peças de montar. Encaixe como queira. Pegue um pouco de estrelas, um pouco de dente de sabre, um pouco de cometas, um teco de folhas de hortelã. Ali vai uma bicicleta.

Cada canto para o qual olhava, via uma infinidade de possibilidades.
Não viu aquela galáxia, velha conhecida, colidindo consigo.
No chão, riram. Ondas se propagando por todo o espaço. Ergueram-se. Sorriram.

Era nébula. Nefertiti. Pétalas de rosa e gotas de mar do pacífico.
Era asteroides. César. Marfim e casca de salgueiro.
A vastidão da amazônia na imponência de Júpiter, olho no olho.

O Universo. É. Simplesmente. Desde quando começou a ser. Sem mais, sem menos. Apenas reorganizando-se como uma lista de pensamentos, uma sucessão de pastas. Combinando-se…

Dia Três: Walmart e Downtown Disney

Dia 15... de Setembro, sábado.

A dois meses atrás, na hora que estou escrevendo isso, contando o fuso-horário, eu estava me arrumando, ou tomando café ou pegando o táxi. Alguma coisa assim.

Nosso café da manhã nesse dia foi o resto da pizza da noite anterior. Estive refletindo sobre o assunto e, sim, nós jantamos uma pizza enorme e linda e sobrou mais um monte para o café da manhã (e foi o que comi). A pizza americana não é tão boa quanto a nossa, mas também não é ruim. É aceitável, digamos assim. Apesar de que em certo ponto da viagem eu já não aguentava mais olhar pra dita cuja.

Só que eu adoraria olhá-la agora, afinal, significaria que estou lá, entende? Ok, prometo que parei.

Enfim, pegamos um táxi na porta do hotel. Vou falar um pouco do hotel, já que não tem muito o que ficar falando do Walmart. Tinha uma sala "Arcade", mas acabamos nem entrando nela porque não deu tempo, no mesmo corredor que (uma das) a entrada do "restaurante" e também a loja (uma miniatura…

Chá de cadeira

Se não quer tomar um, não leia. Eu falei pacas kk
Já ouviu essa expressão, chá de cadeira? É quando você fica muito tempo sentado esperando alguma coisa. Pois é. Ontem experimentei as delícias (ou não) de um chá de cadeira.
Guarda isso na cabeçinha. Arquivou? Beleza, vamos continuar.
Sabe quando você assiste aquele filme ou série de médico (tipo House, haha, amo) e você pensa "cara, como será que é trabalhar aí?!". Não digo na série filme, digo no hospital. Eu já pensei muito isso. Seria bem legal experimentar um corre-corre de hospital, ver como é um corpo humano DE VERDADE, sem esquemas em livros, ver médicos, ter os conhecimentos de médicos... seria tudo! Mas medicina não é pra mim, sabe, é tenso ter a vida de uma pessoa nas suas mãos. Muita responsabilidade.
Agora, lembra do que você tinha arquivado, do chá de cadeira? Não lembra? Ok, lê o começo do post de novo pra lembrar. Lembrou? Ok, então vem comigo.
Ontem fui com minha mãe para o hospital porque ela não se sentia …