19 agosto 2011

Desbravadores


Lugar nenhum, todos os dias

Caro amigo perdido,

Você sabia que estou me redescobrindo? É, pois é. Tanto tempo desapegada e despreocupada com o que valia realmente a pena e que esteve no meu passado, agora tudo está mudado. Fiquei tempos sem ouvir aquelas músicas e ler aqueles livros. Gastei esse tempo me preocupando com coisas e pessoas que não deviam ser tão preocupantes. Me ocupei com inutilidades.

Fugi de coisas que me faziam bem, apesar dos apesares, e me foquei em coisas que me irritavam e me faziam querer socar a parede de propósito e quebrar a mão. E sabe o que aproveito desse tempo? Muita coisa.

Sim, muita coisa. Não me arrependo. Me trouxe boas memórias de risadas e tombos e lanches e outras tantas coisas. E também me ensinaram lições importantíssimas, sobre manter a calma, sobre pensar duas ou três vezes e sobre o verdadeiro valor das coisas.

Mas a coisa mais importante que aprendi é que algumas pessoas são o que são e você só deve aguentar a sua existência exatamente como ela é. Se ela é feia ou bonita, legal ou chata, alegre ou irritada, não importa, é tudo questão de ponto de vista. Entendê-la e conseguir colocar sem atritos os modos dela junto aos seus é uma das maiores vitórias que você pode conquistar.

Mas, acho que agora que estou me redescobrindo, percebo que todas as dores do passado (o passado de quando ainda não sabia o que agora sei) poderiam ter sido exterminadas pelas poucas coisas que me fazem realmente feliz. Poderia ter usado elas para me sentir melhor. Mas só agora, quando estou feliz, é que as uso (acho que faço isso para lembrar delas sempre ligadas à alegria).

Li certa vez algo sobre Budismo. Eles acreditam (entre outras coisas) que não há como evitar o sofrimento; sendo humano você vai sofrer uma hora ou outra. A verdadeira sabedoria (agora colocando um pouco das minhas palavras) é conseguir superar o sofrimento e aprender com ele. Quando perceber isso irá perceber também que você deve aproveitar cada segundo de felicidade, porque cedo ou tarde o sofrimento voltará. Só que ele nunca será permanente, a felicidade também volta, é claro, assim como o sol.

Então, nessa minha fase de descobertas e redescobertas, percebo que, no geral, não só o meu humor, mas tudo no mundo muda. Somos redondos como a Terra e giramos o tempo todo. Temos estações, temos dia e noite, temos eras de gelo e eras de aquecimento global. E o que fazemos quando mudamos de uma para a outra? Depende de cada um.

Espero que aprenda com o que aprendi. Continue caminhando, sempre. Não pare nunca, não importa quantos degraus há no caminho ou quantas montanhas há para escalar.

Boa sorte,

Desbravadora da vida



Muito obrigada ao Adriel por ajudar a escolher a foto e à Aliane por tirar a foto.

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4 comentários:

  1. Nossa. Tipo... UAL. É inspiradora. Mesmo. E a minha foto! E o meu nome lá no final. Oun *-* Que linda.
    Por mais que te estresse e tal, me sinto honrada em ser uma dessas coisas na qual você se focou mesmo que te deixasse com vontade de socar a parede de propósito e socar a mão. É só que.......... Eu amo você rere.
    Parabéns pelo texto. De verdade. Você diz que tenho que fazer críticas e sugestões e bla bla bla... Mas você não me dá a chance! Seus textos estão sempre lindos e perfeitos. Digo, pelo menos pra mim, que não seria capaz de algo assim tão.... formoso? tocável? profundo? Todas as opções citadas anteriormente?
    Enfim, adorei. Parabéns e continue assim! <3

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  2. visitando aqui :)
    Parabéns pela carta e por sua classificação no Bloínquês.

    palavras-e-sentimentos.blogspot.com

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  3. "Somos redondos como a Terra e giramos o tempo todo. Temos estações, temos dia e noite, temos eras de gelo e eras de aquecimento global (...)" Perfeito.
    Na vida tudo muda, mas o que realmente importa é que ainda estamos juntos apesar de tudo. (João aqui)

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