Pular para o conteúdo principal

A Seita


Uma garota sentou-se no chão de uma bela sala de piso de madeira e com aspecto de que não era aberta a muito tempo. Tinha um ursinho e escolhia fotos. Pendurou um grosso fio no cômodo, atravessando-o. Parecia inocente olhando as impressões em papel e tinta que mais tarde se tornariam parte de um ritual.

Vestiam capas pretas escondendo-lhes os rostos. Eram quatro e formavam (como podiam) um círculo. A sala era um octógono, com três grandes janelas no lado oposto à porta. O sol do lado de fora se preparava para descansar e as árvores aproveitavam os últimos minutos na sua companhia.

Muitas velas estavam acesas e espalhadas no chão e havia espécie de varal (um fio resistente) que cruzava o cômodo. Uma das figuras de preto colocou uma música famosa do rock dos anos setenta ou oitenta. Eles começaram a bater o ritmo (tum tum tá) com os pés e mãos, cada vez mais forte. Cantavam. Então a música acabou e veio outra.

Misturava o canto de coral com ritmos medievais e pop. A letra era em latim e a canção era imponente e guerreira. Um dos vultos ergueu uma pilha de fotografias e todos os outros começaram a prendê-las no varal. Eram fotos de viagens, festas, reuniões e passeios de várias pessoas diferentes. Todas memórias aleatórias.

Terminada a canção e com as fotos penduradas, começaram a cantar a próxima, o mesmo estilo da anterior, só que bem mais angelical. Olhavam as fotos enquanto cantavam e riam ao passar por elas. Pegaram algumas que gostavam e colocaram no chão. As que traziam imagens ruins, queimaram no próprio varal. Uma luz laranja iluminou o quarto que já estava ficando escuro. O calor tomou o ambiente. Tambores ressoavam enquanto assistiam o espetáculo à sua frente se consumir.

Baixaram os capuzes, logo que a canção terminou, pegaram uma garrafa de coca-cola e esfihas, sentaram e comeram.

- Ainda não temos nome para a seita - disse uma, adolescente como os outros, sorrindo - temos o "Deus", - apontou para um ursinho no canto, que simbolizava um fofoqueiro anônimo que criara uma história fantástica sobre eles (história essa que dera a ideia para a reunião) - as fotos, as músicas, a comida... Só não temos nome.
- Quer um nome melhor que “Seita”? - respondeu outro.

Rindo, terminaram de comer a som de rock brasileiro, cantando como se não houvesse amanhã.


Comentários

  1. Nossa seita foi muito bem retratada nesse texto, hein, Lê!? Adorei.
    Principalmente a parte final, onde eles discutem o nome da seita. Apenas "Seita". Bem Original
    Parabéns.

    ResponderExcluir
  2. muito lindo, no começo me imaginei nessa cena com alguns amigos e estávamos revendo fotos do passado =')

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Obrigada pela visita! Deixe um comentário e compartilhe com os amigos!

Postagens mais visitadas

Chá de cadeira

Se não quer tomar um, não leia. Eu falei pacas kk
Já ouviu essa expressão, chá de cadeira? É quando você fica muito tempo sentado esperando alguma coisa. Pois é. Ontem experimentei as delícias (ou não) de um chá de cadeira.
Guarda isso na cabeçinha. Arquivou? Beleza, vamos continuar.
Sabe quando você assiste aquele filme ou série de médico (tipo House, haha, amo) e você pensa "cara, como será que é trabalhar aí?!". Não digo na série filme, digo no hospital. Eu já pensei muito isso. Seria bem legal experimentar um corre-corre de hospital, ver como é um corpo humano DE VERDADE, sem esquemas em livros, ver médicos, ter os conhecimentos de médicos... seria tudo! Mas medicina não é pra mim, sabe, é tenso ter a vida de uma pessoa nas suas mãos. Muita responsabilidade.
Agora, lembra do que você tinha arquivado, do chá de cadeira? Não lembra? Ok, lê o começo do post de novo pra lembrar. Lembrou? Ok, então vem comigo.
Ontem fui com minha mãe para o hospital porque ela não se sentia …

A Música da Estrada

Lá estava ele novamente na estrada, caminhando tranquilamente e olhando ao redor. Na mão a maleta com o seu melhor amigo e companheiro de profissão: o violão. Não era nada demais, não. A marca não era daquelas mais caras e já não era tão novo. Mas cuidava tão bem do dito cujo... Sentava-se e limpava-o, afinava-o, olhava com paixão. Era o filho dele, a mulher de sua vida, seu pai, seu irmão. Era o mundo em suas mãos, ao seu comando.

Espera... Eu disse que o violão estava ao seu comando? Ah, nem o músico sabia quem comandava o que ali. Quando começavam com uma nota e não paravam nunca mais, ele tinha bastante certeza de que era um trabalho no qual os dois pensavam juntos.

O músico mandava apenas no caminho, pois era ele que tinha as pernas. E, sendo assim, escolhia as platéias. Tive sorte de ser uma delas. Caminhava, apenas, disseminando seu dom. Ensinava uns aqui e outros ali. Nunca parava. Diziam a ele que iria explodir se continuasse assim. Mas era do que ele vivia e do que gostav…

Hoje é o Seu Dia, Que Dia Mais Feliz!

Muita gente critica festas de crianças. Pessoalmente, acho que há mais para se elogiar do que para se criticar. Veja bem, quem não gosta de uma boa e velha bolinha de queijo? Tudo bem, velha talvez não (sabe, porque comer coisa mofada não é bom, confie em mim), mas ela é boa, muito boa. Festa de criança sempre tem essas comidas gostosas e elas fazem valer a pena.

Sempre que a festa é em buffet tem um determinado brinquedo legal que adulto pode ir. E aí é a hora de todo mundo que já passou da idade se juntar e usar o brinquedo, gritando e fazendo a maior bagunça. Um desses é o "la bamba", um hit da atualidade, um disco com cadeiras onde as pessoas sentam e ficam girando repetidamente. Acredite, é divertido. Claro que, criança ou adulto, alguém sempre tenta surfar e é aí que vemos uma criatura rolando pelo chão do brinquedo enquanto um monte de outras criaturas riem da cara do pobre coitado. Pois é.

E, pra finalizar, os doces. Ah, esperar as quatro horas, o parabéns com direit…