Pular para o conteúdo principal

Sem Graça

Sou mó fã do CQC. São caras inteligentes de verdade, pra começar. Hoje em dia, humor inteligente é difícil (se levarmos em consideração que Pânico é o que mais vende e Zorra Total ainda não acabou, e nisso TODOS concordam). E daí vem um deles e dá uma de… de… nojento (você sabe bem que eu queria dizer outra coisa) e faz uma piada de mal gosto.

SIM, meus amigos, o Rafinha FEZ uma piada de mau gosto. Até eu que sou fã sei que ele faz muito isso. Mas por que, raios, SÓ AGORA que foram tomar uma atitude?

Um motivo é que ele vende (agora que foi afastado a empresa dona do formato do CQC foi reclamar querendo ele de volta). O outro motivo é que a insultada, dizem por aí, tem uns contatos lá dentro.

Então, senhoras e senhores, me vejo mais uma vez de cara com uma verdade dolorosa: vivemos em meio à um monte de hipócritas. Porque, veja bem, se o cara fosse mesmo um problema, já o teriam resolvido antes e, sendo que muita gente sempre achou ele um problema, só agora metade quer ele fora porque insultou um poderoso e outra metade é poderosa e quer ganhar dinheiro.


Dai vem a imprensa. Caindo em cima, rolando no assunto como jacarés que acabaram de aproveitar uma excelente refeição. O discurso é que ele é desrespeitoso, asqueroso. Volto aos programas citados mais cedo: Pânico na TV é inteiro asqueroso (mesmo que você goste e ria pra caramba, você sabe que eles usam e abusam de humilhação alheia, pelo amor de Deus); Zorra Total, bom, nem precisava comentar… mas enfim, a Globo tem investido absurdos e o programa, mesmo existindo mais que a minha vida toda e todo esse tempo sendo taxado de idiota e repetitivo (“é sempre a mesma piada!”), tá aí. E o problema da Zorra é que eles também fazem piadas sem graça usando esteriótipos (como toda a Globo faz, na verdade) e tudo o mais.

E ninguém caiu matando neles? Mesmo que todos saibam qual o problema? É que não tocou na ferida.
O que é o humor agora? Dizem que tem que ter liberdade de expressão pra humorista, pra imprensa, pra artista, pra todo mundo. Daí tá todo mundo lutando pelos direitos e igualdade social, então você não pode falar nada de ninguém. Não posso virar pro meu amigo e dizer “seu cabelo tá feio”. Vai que ele desenvolve problemas psicológicos porque fiz bullying?

Não to dizendo que bullying é certo, mesmo porque já me zoaram (por causa de cabelo inclusive). Demorei anos pra destraumatizar do cabelo. Também não quero que todo mundo saia se xingando. E também não acho que a piada do Rafinha foi engraçada (tem que explicar tudo isso porque se não vão dizer que eu sou má e mereço morrer também).

Mas você tem que escolher: liberdade de expressão ou de existência? Será que existe MESMO liberdade? Se eu for na padaria de short e camiseta ninguém vai pensar nada de mim, sequer vão me notar. Se eu usar uma peruca de palhaço, vão me olhar torto. ESTOU EXERCENDO MINHA LIBERDADE. E você a sua, de me achar estranha.

Então, se a questão é liberdade, Rafinha tinha todo o direito de falar todas as porcarias que quisesse. E o resto do mundo de falar que ele é um merda babaca. Entendeu onde quero chegar? Se não, bom… tenho pena de você. Vai ler de novo.

Pois é… essa discussão toda sobre liberdade veio de uma piada sem graça e de todo o sistema de poderosos por trás. Sabe o que é mais sem graça? A gente fica discutindo isso em textinho do tumblr ao invés de jogar uma bomba atômica na cabeça da humanidade e acabar com ela, porque parece que não tem mais jeito.

Comentários

Postagens mais visitadas

Peões

Hoje, somos peões.

Na grande batalha da humanidade por um passo a mais, um nível a mais em direção à utopia que imaginamos, nós somos os peões.

Há sangue. Há dor.

Há a busca pela aceitação. Somos um. Um grande pequeno pedaço de um enorme universo. Isso é lindo. Isso é esquecido. Enterrado abaixo de muita sujeira e palavras de dor, de culpa, de ódio.

Há busca pela verdade. Porque mentem e enganam, ou porque muitos se intitulam proprietários das respostas para tudo e aqueles que creem nessas respostas lutam cegamente por elas. Ou mentem e enganam e tiram dos outros tudo aquilo que têm.

Busca-se dignidade. Busca-se justiça. Busca-se orientação.

Há a destruição de tudo o que se vê. Tudo o que existe em perfeito equilíbrio na grande engrenagem da vida... desequilibrada, e não há remorso por isso. Há morte, há destruição e não há quem veja que destruir o meio é destruir a si.

Destruir o próximo é destruir a si.

Uma palavra de ódio. Um galho arrancado. Uma liturgia mal pregada. Um lí…

Então... Um Rosto na Multidão

Eu quero lutar. Você não vai me ver parar. Porque eu sei que o mundo precisa de mudanças e elas precisam começar de algum lugar, mesmo que seja por causas menores (ainda que não existam causas menores). Você não vai me ver desistir, você me verá batalhando.
Posso ser apenas mais um rosto na multidão, mas é exatamente isso que quero ser, porque é isso que uma multidão é: um monte de rostos, bravos, querendo algo mais. Então, venha ser mais um rosto na multidão ativista, e não na passiva. Seja mais uma voz gritando seus direitos.
Não é possível que você não se incomode. Mesmo que sua vida esteja boa, assim como a minha, que você possa estudar, ter seu emprego, ter sua comida, comprar suas coisas (não tudo o que você quer, mas uma coisa ou outra), não é possível que você olhe para o mundo em sua tv ou computador que você lutou para comprar e não sinta nada ao ver... ver como há pessoas que não tem comida e água e que estão doentes, ver pessoas na seca do sertão com o gado morrendo e cria…

A História de Tudo

Havia uma rua, com árvores, e alguém a atravessava. Tudo ali era um pedaço de Universo.
Um pedaço da vasta história de tudo.
A pessoa que a atravessava. O chão. As árvores. O vento que soprava.

Cada átomo e molécula uma combinação de combinações em uma grande e infinita caixa de peças de montar. Encaixe como queira. Pegue um pouco de estrelas, um pouco de dente de sabre, um pouco de cometas, um teco de folhas de hortelã. Ali vai uma bicicleta.

Cada canto para o qual olhava, via uma infinidade de possibilidades.
Não viu aquela galáxia, velha conhecida, colidindo consigo.
No chão, riram. Ondas se propagando por todo o espaço. Ergueram-se. Sorriram.

Era nébula. Nefertiti. Pétalas de rosa e gotas de mar do pacífico.
Era asteroides. César. Marfim e casca de salgueiro.
A vastidão da amazônia na imponência de Júpiter, olho no olho.

O Universo. É. Simplesmente. Desde quando começou a ser. Sem mais, sem menos. Apenas reorganizando-se como uma lista de pensamentos, uma sucessão de pastas. Combinando-se…