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Palavras No Bolso


Minha cabeça, 15 de Fevereiro de 2012

Mundo,

Por onde começar?

Talvez por quando comecei a viver aqui nessa cidade... se for assim, seria mais fácil dizer que comecei a viver, simplesmente. Estou aqui desde sempre.

Talvez eu possa começar pelos meus primeiros sonhos. Via em minha vida pessoas superpoderosas, princesas, príncipes, magos, dragões, duendes, fadas... Mas via à minha frente, no meu futuro, algo muito mais real. Sempre me vi fazendo coisas pelo mundo e deixando minha marca.

Dizia que seria escritora.

Os anos passaram e outras ideias vieram. Mas, ainda criança, já tinha um livro. Oh, sim, uma história emocionante do Hamster que foge de seu pet shop e depois luta com outro Hamster maligno.

A mente das crianças é uma coisa fantástica! Por isso sempre tento retomar o que sonhava naquela época.

E então a vida me mostrou que, sim, eu deveria escrever. Mas por onde começar?

Hoje me sento aqui nesta mesa, esperando a água esquentar e o café coar. O cheiro vem até mim em ondas que me dizem "relaxe, já estou a caminho". Olho pela minha janela e vejo todos os lugares que quero ir, pessoas que quero ver, coisas que quero fazer. Mas estou aqui, com uma caneta na mão escrevendo uma história de vida que mal começou.

Ontem entrei pela primeira vez no lugar que me faria adulta e me prepararia para o que quero fazer o resto da vida, onde estudaria e me abriria para o que há lá fora. Ainda não sei o que acho. Ainda não sei o que vai ser disso.

A única certeza da vida, dizem, é a morte. Não acho que seja assim. Para mim, por exemplo, há outra certeza: não importa o que aconteça, continuarei escrevendo. Seja em um computador ou máquina de escrever, a mão ou mentalmente, em um caderno ou em guardanapos. Em um quarto meu ou de outro alguém, em casa ou na rua, em um café ou em um bar. Essa é minha missão e eu irei cumpri-la.

Olá, mundo. Hoje, carregando palavras em meu bolso, estou a caminho.

Uma estudante da vida.

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