15 março 2012

Real Demais


Caminhou tremulamente até a ponta. Olhou para baixo e viu o mundo. Estava tão no alto, tão superior às pessoas e carros minúsculos lá embaixo... Até os outros prédios pareciam pequenos. Resolveu sentar-se.

Sua espinha congelava enquanto se movia lentamente, para sentar-se. Precisou forçar tanto sua coluna para baixo que sentiu que ela era um pedaço de gelo quebrando-se. Seu braço estava arrepiado. Ela odiava alturas.

Não poderia arriscar olhar para cima, porque seria tão ruim ou pior. A imensidão sobre sua cabeça lhe causava arrepios, principalmente estando sentada em um lugar tão... instável. Se desequilibraria mais facilmente ainda.

Ficou parada um tempo, decidindo para que ponto olhar. Percebeu que manter a cabeça reta e os olhos baixos não lhe trazia aquela sensação... horrível. A cabeça girava, tudo ficava preto, o coração acelerava...

Tum. Tum. Tum.

Ela se virou e revistou a mochila. Tirou algo de lá e, lentamente, esticou uma perna para baixo. Depois se arrastou para frente com a outra. Ergueu aquela caixa preta e apertou um botão.

Deitou-se para trás, ofegante, largando a câmera de lado.

- Deixe-me ver! - pediu o rapaz que apareceu atrás dela - Uau, fantástico! Você foi genial com essa foto! - depois de uma breve pausa, olhou-a - Minha nossa! Está branca! Tem medo de altura? Eu não sabia, senão  poderíamos ter avisado o professor...

O rapaz ajudou-a a se levantar. Ela mantinha os olhos bem fechados. Era tão frustrante! Já tinha feito coisas tão piores e normalmente não tinha tanto medo assim de alturas. Muito menos...

- Seria legal uma foto de alguém caindo. Ou do ponto de vista de alguém que está caindo. - disse o rapaz, ao seu lado.

Um segundo depois, uma câmera foi colocada em suas mãos e ela foi puxada para a beirada novamente. O rapaz pegou outra câmera e disse:

- Você aguenta ficar aí parada na pontinha?

Não teve tempo, o garoto pareceu decidir por ela.

O vento zuniu enquanto tudo virava um borrão e seu dedo apertava o botão da câmera. Montes de fotos. Sentia-se cada vez mais perto do chão. Não via sua vida diante de seus olhos. Via apenas o rapaz com a câmera, fotografando de cima.

Então um chão macio tocou suas costas.




- Perfeito! - berrou o rapaz de cima de uma escada que imitava um prédio. Desceu os degraus e foi puxá-la. - Essa maquete é realmente muito real, não acha?
- Sim. Real demais.



Para a Aliane Soares, que gosta de se aventurar assim. 

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5 comentários:

  1. LInda tua participação.Adorei o enfoque!!beijos,chica

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  2. Por que tão amável?
    Adorei, parabéns, continue assim, etc etc etc.
    Me sinto lisonjeada de poder ser citada no seu blog ou de ter fotos minhas por aqui. Espero que saiba que pode pegar quantas você quiser.
    Orgulho de te chamar de melhor amiga. <3

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  3. Parabéns leeh, delicia de texto! continue assim e o curso de letras só irá te ajudar,amei.*-* bjs, quel.

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  4. Uma verdadeira obra de arte! Parabéns ao (a) autor(a)!
    Fantástico!

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