Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Abril, 2012

O Soldado e a Menina

Sentado. O mundo se esvai ao seu redor, mesmo porque parece que não há mais mundo. Peso em suas costas e coração. Era um assassino. Era vítima. Era um peão. Por que devia ser colocado naquele tabuleiro sem propósito?

Mas ele não podia pensar assim. Devia honrar a pátria, honrar sua missão. Se na morte houvesse honra, certamente não seria este o tipo de honra que ele poderia querer.

Fora criado para odiá-los. E odiava, todos. Os que devia mirar e os que o mandavam mirar. Mas só odiava os segundos pelo que fora obrigado a fazer.

O outro rapaz estava agonizando. Olhos que imploravam pela morte se voltaram para o soldado; o que mais poderia fazer?

Matou um amigo.

Sentou-se, sem ar, em um lugar afastado. Depois de sujar as mãos com este sangue, percebeu com quanto sangue já estava sujo. Percebeu que estava no lugar errado. Percebeu que não havia mundo...

Uma garotinha se aproximou. Olhar assustado, pés descalços, mãos tremiam levemente.

Assustado no assustado, verde no preto, medo no medo…

Parole

Fala. Por favor, fala!

Repetia olhando com olhos miúdos para a janela. O telefone enganchado na orelha. Vinha um som bacana do outro lado. Uma canção. Não tinha plena noção do que se passava nela, só sabia que o som entrava em seus ouvidos, bagunçavam tudo, e saiam repetindo...

Fala. Fala.

"E aí?", um pergunta. Dane-se, não quero responder, pensa.

Só precisava que falasse.

A fala tem um poder fantástico. Comunica o que se quer e o que não se quer. Pode comunicar uma coisa e não outra. A fala pode mudar a ordem dos fatos e da lógica. Pode ser ilógica. Ela usa palavras... ou não.

E se falasse, aquelas palavras... por que não falava?! O que perderia? O que ganharia?

Poderia ganhar o mundo. Poderia perder o mundo. Sentia gosto de terra e água em sua língua, enquanto seu cérebro pensava na melhor forma de colocar para fora. Tremia de nervoso, mãos suadas.

"Oi? Está me ouvindo?"

Não podia deixar demorar mais. Era uma conversa, precisava responder. Seu estômago doeu enqua…

Deus ou Universo

Parada no ponto de ônibus (lugar mais maravilhoso para refletir não há) me pus a pensar e pensar (sabem que faço muito isso) e eis que surge a resposta perfeita para equilibrar uma das maiores brigas da humanidade, que é a da ciência versus a religião. Aqui vai:

Sabe-se que no início os povos antigos nomeavam "Deus" todas as coisas para as quais não achavam explicações (por isso haviam tantos Deuses, o do sol, o do trovão, o da plantação...); conforme evoluiu, a humanidade passou a encontrar explicações e provas científicas para cada uma dessas coisas e deixou de chamar o sol de Deus, o trovão de Deus, a plantação de fruto de um Deus. Eram apenas fatos que aconteciam.
Mesmo assim, uma parte da população (grande, façamos jus) acredita que tudo isso vem de uma força maior e iluminada, seja como for que venha. E vários não aceitam de forma alguma as explicações científicas de como o homem surgiu.
Assim como os que creem na ciência não aceitam o Ser Iluminado.
Desta forma, vamo…

Três Anos Outro Por-Fora!

Sim! Faz três anos! Claro que há três anos atrás eu nem postava direito aqui nem nada, mas mesmo assim... Uma história de textos e de sentimentos, pensamentos, aventuras, momentos, personagens... uma história de textos que tentam ilustrar coisas da vida.

Nessa história tive, como diria meu avô, uns dezessete leitores muito fieis e que espero que assim continuem. Em geral, não devo ter muito mais que isso mesmo.

Minha vida, nestes três anos, encontra-se nesse blog, de uma forma ou outra. Agradeço a você que esteve comigo em algum momento por esse caminho. E que venha muito mais!

Ah, e eu estou pensando em uma promoção bonita em comemoração. Será que assim consigo mais leitores? Hum? Aguarde!

Enquanto isso, curta o blog no facebook (tem uma janelinha aí na coluna ao lado, é só clicar "curtir")!

Uma lambida de cachorro fofo e muito obrigada,

A Blogueira que vos fala.

PS.: O texto está pequeno porque estou enlouquecida com provas e trabalhos, um zumbi com olheiras enormes, indo…

Como Uma Pedra no Lago

Assistindo a um programa discutindo o bullying tendo visto, no dia anterior, algo sobre maltrato aos animais, me deu na telha escrever sobre o Homem.

Muita gente nem liga. Outros acham que o mundo deve mudar pra melhor. Sinceramente, você tem uma máquina de lavagem cerebral? Porque o Homem não é muito fácil de domar, ao contrário do que ele faz com os outros seres.

Por que o mundo tá todo errado? Reflita:

obs: vou falar coisas pesadas, aqui; se tem coração de manteiga, leia mesmo assim, para ver se não começa a fazer algo.

O Cara do Bar

Ele contava uma história diferente para cada nova pessoa que encontrava. Sorria fracamente ou alegremente, dependia da história. Sentava-se em um banco de bar todos os dias e sempre pedia o mesmo café. Quem sentasse ao seu lado no balcão ouviria uma história diferente.

Uma moça foi a primeira do dia. Era loira, bela, mas tinha uma expressão muito séria. Pediu uma dose de wisky, que virou em segundos.
- Seus olhos não me enganam, já vi esse olhar antes - ele disse, chamando atenção da garota - amargo, arrependido, mas lá atrás tem dor. - Quem é você? - disse ela meio indignada. - Meu nome é irrelevante. Posso ser um ombro amigo, hoje. O que te aflige? - Partiram meu coração e eu sabia que não deveria ter me permitido fazer isso de novo. - Amar é inevitável e é a melhor coisa que alguém pode fazer na vida. Ser amado é um reflexo. - Então o espelho está quebrado, moço. - Concerte-o. Esse espelho não fica rachado, se não quiser. É uma bela moça e com certeza tem conteúdo dentro de si; mo…

Sua Música

A primeira vez que vi essa cena eu tinha uns sete anos no máximo. Comecei a ouvir a música e me falaram "você ouvia essa música quando era pequena, era a sua música". Instantaneamente comecei a chorar, porque algo dentro de mim me fazia lembrar da melodia, da letra, do sentimento...
Minha mãe, ao descobrir que estava grávida, começou a ouvir essa música todos os dias, por minha causa. Depois, quando bebê, a mesma coisa.
Na época que vi o filme fazia muito tempo que minha mãe não colocava Elton John para tocar, ou pelo menos não Your Song.
O sentimento que ela me proporcionou naquele dia foi a coisa mais maravilhosa que já senti com uma música. Era como se, finalmente, minha identidade tivesse sido determinada; como se minha alma tivesse acendido; como se uma metade de mim tivesse voltado pra casa.
Foi intenso, foi forte e eu era uma criança que mal conhecia tais palavras. Uma criança que só chorava por machucado e por pedir mimos. Uma criança que não sabia das pequenas cois…

Um Retrato Musical

O vidro embaçado com gotas caindo do céu lá fora. Uma ruazinha com casas simples escondida no meio da cidade. A cabeça recostada, os olhos contando gotas, a respiração lenta. O corpo todo relaxado, um pouco torto na cadeira, com a mochila entre os pés.

O sono da manhã, que se afastara um pouco com o achocolatado em "temperatura ambiente" e pão com manteiga, retornava para os olhos que começavam a semicerrar.

Ao seu redor, o silêncio era quebrado pelas gotas de fora e pela música... Ah, que música maravilhosa soava em seus ouvidos ali dentro! Uma guitarra dedilhada certeiramente, sem peso. Era leve e levava para outro estado de espírito, de mente, de corpo. A voz murmurava alguma história de sultões do balanço. As notas saíam como brincadeira.

Aquilo era a imagem perfeita de uma manhã comum na vida de uma criança que, mais tarde, escreveria. Em seus textos, faria um retrato do seu caminho para a escola ao som sempre do clássico que viraria uma de suas mais doces lembranças m…