Pular para o conteúdo principal

Sua Música



A primeira vez que vi essa cena eu tinha uns sete anos no máximo. Comecei a ouvir a música e me falaram "você ouvia essa música quando era pequena, era a sua música". Instantaneamente comecei a chorar, porque algo dentro de mim me fazia lembrar da melodia, da letra, do sentimento...

Minha mãe, ao descobrir que estava grávida, começou a ouvir essa música todos os dias, por minha causa. Depois, quando bebê, a mesma coisa.

Na época que vi o filme fazia muito tempo que minha mãe não colocava Elton John para tocar, ou pelo menos não Your Song.

O sentimento que ela me proporcionou naquele dia foi a coisa mais maravilhosa que já senti com uma música. Era como se, finalmente, minha identidade tivesse sido determinada; como se minha alma tivesse acendido; como se uma metade de mim tivesse voltado pra casa.

Foi intenso, foi forte e eu era uma criança que mal conhecia tais palavras. Uma criança que só chorava por machucado e por pedir mimos. Uma criança que não sabia das pequenas coisas da vida... até aquele momento.

Aquela noite foi a primeira vez que me comovi com algo que assisti. 

Your Song me acompanhou, mais tarde, em outros momentos. Eu e minha mãe começamos a compartilhar essa amizade de fã.

Minha mãe cantou para mim nos meus quinze anos. Em minha formatura do nono ano, no momento de homenagear os pais, colocaram essa música para tocar (e posso dizer que foi em nossa homenagem, poque o rapaz que fez a playlist era amigo dela e etc). Todas as vezes que essa música tocou, algo parecia fazer sentido e parecia ser para nós. Elton John é meu ídolo musical por ter composto a música e, às vezes, agradeço ao Bernie por compor a letra parecendo pensar em mim e em como me fazer sentir feliz.

Todos os momentos que foram ilustrados por esta canção remetem àquela noite, quando ouvi me dizerem "essa é sua música" e resolvi tomar isto como verdade absoluta, com olhos úmidos de felicidade. Era a mais pura e bela verdade.

Comentários

Postagens mais visitadas

Real Demais

Caminhou tremulamente até a ponta. Olhou para baixo e viu o mundo. Estava tão no alto, tão superior às pessoas e carros minúsculos lá embaixo... Até os outros prédios pareciam pequenos. Resolveu sentar-se.

Sua espinha congelava enquanto se movia lentamente, para sentar-se. Precisou forçar tanto sua coluna para baixo que sentiu que ela era um pedaço de gelo quebrando-se. Seu braço estava arrepiado. Ela odiava alturas.

Não poderia arriscar olhar para cima, porque seria tão ruim ou pior. A imensidão sobre sua cabeça lhe causava arrepios, principalmente estando sentada em um lugar tão... instável. Se desequilibraria mais facilmente ainda.

Ficou parada um tempo, decidindo para que ponto olhar. Percebeu que manter a cabeça reta e os olhos baixos não lhe trazia aquela sensação... horrível. A cabeça girava, tudo ficava preto, o coração acelerava...

Tum. Tum. Tum.

Ela se virou e revistou a mochila. Tirou algo de lá e, lentamente, esticou uma perna para baixo. Depois se arrastou para frente co…

Eu odeio gripe

Sabe, eu poderia falar de muitas coisas. Poderia falar do aquecimento global, das eleições, das pessoas babacas... Mas não.

Vou falar da minha garganta.

Porque estava indo tudo bem. O frio estava chegando sem nariz escorrendo, garganta inflamada ou coisa assim. Eu ia montar um altar pra alguém (não sei quem, mas ia) em comemoração a isso, porque é um milagre eu não ter ficado com absolutamente nenhuma marca da mudança de tempo.

Mas então hoje, do nada, minha garganta ficou irritada.

Sabe quando fica difícil de engolir, coça, e parece que você poderia tossir para sempre? É assim minha situação agora.

Eu, pessoalmente, acho que é castigo. Porque, mentalmente, "caçoei" das pessoas que tinham ficado assim. Não foi bem um "ahaha, você está doente e eu não". Na verdade foi mais um "nossa, ele tá doente e eu tô na boa!".

E agora aqui estou.

E, sabe o mais cômico? Tá um frio do caramba e a única coisa que alivia minha garganta (comprovado por mim mesma ao longo do…

A História de Tudo

Havia uma rua, com árvores, e alguém a atravessava. Tudo ali era um pedaço de Universo.
Um pedaço da vasta história de tudo.
A pessoa que a atravessava. O chão. As árvores. O vento que soprava.

Cada átomo e molécula uma combinação de combinações em uma grande e infinita caixa de peças de montar. Encaixe como queira. Pegue um pouco de estrelas, um pouco de dente de sabre, um pouco de cometas, um teco de folhas de hortelã. Ali vai uma bicicleta.

Cada canto para o qual olhava, via uma infinidade de possibilidades.
Não viu aquela galáxia, velha conhecida, colidindo consigo.
No chão, riram. Ondas se propagando por todo o espaço. Ergueram-se. Sorriram.

Era nébula. Nefertiti. Pétalas de rosa e gotas de mar do pacífico.
Era asteroides. César. Marfim e casca de salgueiro.
A vastidão da amazônia na imponência de Júpiter, olho no olho.

O Universo. É. Simplesmente. Desde quando começou a ser. Sem mais, sem menos. Apenas reorganizando-se como uma lista de pensamentos, uma sucessão de pastas. Combinando-se…