23 agosto 2012

Artistas Anônimos

Sentado em uma mureta numa esquina qualquer de uma das avenidas mais movimentadas. Apoiada na perna a pasta servindo de mesa, sobre ela a cartolina, na mão o giz.

Rosto sincero, sorriso de modéstia, olhar de gratidão.

Gratos são aqueles que tem o poder de ver cores surgirem sobre o papel, como enxurrada de estações, falando diante de seus olhos. Sortudos aqueles que podem encontrar em uma esquina qualquer de uma avenida movimentada as cores que aquele senhor usava para contar história.

Eram histórias de luz na escuridão. Era a bagunça da vida em formas deformadas. Soavam como sinfonia de vozes, compras, letras, carros, passos.

Um tinha sensibilidade tal que, ao olhar, atingia como flecha o coração mais aberto. Moça de cores quentes em ambiente frio que conversa com quem passa.

O que dar por uma honra daquelas? Conhecer em ocasião tão inusitada um talento escondido? Dar o que pode-se dar... o que tem no bolso e uma bela ilustração própria do belo momento vivido. No caso, ilustro com palavras o que aquele artista anônimo da esquina faria com giz sobre cartolina, no caos da cidade.

Pronto para tocar o próximo que passar e fazê-lo sentir-se de modo único. Olhar aquelas imagens levou-me à um mundo alternativo. Vê-lo ali, sentado, fez-me sentir um aperto no coração por tal arte ser desconhecida.

Porém, também trouxe um quê de crença nas pessoas: todos somos artistas anônimos que podem pintar seus próprios quadros, em todo estilo, formato e cor que quisermos.


Este texto é inspirado na experiência que tive esta noite de conhecer Getúlio, um artista talentosíssimo, sem muitas condições, que vende suas obras por qualquer trocado. Um senhor que deveria ser visto por todos, sentado e criando anonimamente.

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5 comentários:

  1. Linda homenagem à Getúlio que trabalha na rua e tantas vezes nem tem reconhecido seu trabalho...beijos,chica

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    1. Muito obrigada! Este talento merece muito mais do que recebe.
      Beijos

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  2. Letícia, faz um tempo que não nos "visitamos", rs.
    Seu post me chamou a atenção pelo lirismo que colocou ao descrever sua experiência com este artista que, é anônimo por não ter fama e dinheiro, mas não é anônimo a aqueles que, como você, conseguem ver o que ele tem de bom a oferecer. Todos temos e sempre haverá "uma Letícia" para valorizar.

    PS: Apenas um alerta, seu blogue está com verificação de palavras e, quem tem conexão lenta, por vezes, acaba perdendo um comentário enorme que fez. O melhor é retirá-la.

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    1. Pois é, vou visitá-lo agora rsrs
      Obrigada pela atenção e pelo comentário, fico feliz por gostar. Me sinto honrada quando as pessoas gostam do que escrevo, sério. Acho que fico como o sr. Getúlio ficou quando disse que seus quadros em cartolina eram lindos.

      Ah, obrigada por avisar, já retirei :D

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  3. Engraçado, esse sentimento vosso de desejar o reconhecimento da singela arte alheia é mútuo sabia? Creio que todos aqueles que conseguem ouvir a voz da arte, seja qual for, por escutá-la tão sublime, com a sensação de paz, conhecimento e carinho que essas trazem, também desejam escancará-las para o mundo. Estes artistas anônimos... puxa vida, não porque me sinta uma deles, mas por saber exatamente o valor que eles tem e que se perde aos poucos, deveriam estar sobre todos os holofotes. Se todos soubessem o quanto essas artes iluminam, por mais pequeno que seja o feixe de luz... Aiai. Adorei a forma como montaste seu texto.

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