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Mostrando postagens de Dezembro, 2012

O Natal de Johnny

Naquela noite, os humanos de Johnny saíram todos juntos. Carregavam pacotes embaixo do braço e travessas com coisas gostosas e cheirosas que Johnny adoraria ter comido. Estavam arrumados, do tipo de roupa que eles usavam para sair, e quando Johnny percebeu teve esperanças, como sempre, de que fosse acompanhar a família.

Só que quando eles se despediram, com cara de pena, Johnny ficou bastante chateado. A menininha foi a que demorou mais para sair e largar Johnny sozinho. Mas ele não era um cãozinho de chorar nem nada. Ficou um tempo sentado perto da porta, esperando que seus humanos voltassem logo. Depois, foi até sua cama, sentou e esperou. Cochilou.

Em meio a um belo sonho envolvendo deliciosos petiscos e brincadeiras com seus dois humanos menores (a menininha e o menino), Johnny acordou e resolveu procurar comida. Encontrou seu ossinho, mas para fazer isso brincou de detonar a casa: derrubou latas de lixo, arrastou roupas e brinquedos, tombou um banquinho. Depois disso tudo, subiu…

Sob a Capa de Chuva

E então, enquanto a chuva despencava pela rua, menos fresca do que se esperava, mas mais forte do que desejado, ele passou.

Um cão grande, preto e marrom, talvez, caminhou descontraído (apesar de tímido) até o meio-fio. Usava uma capa de chuva transparente. Que fofo, um cão com capa de chuva, não? Mas ele está sozinho? Como um cão com capa de chuva é sozinho?

Ele olha para trás. Surge, no campo de visão, um homem; empurra um carrinho de supermercado com suas coisas, usa um casaco esfarrapado, é dono de uma aparência sofrida. Junto dele, mais outro cão marrom, grande, com capa de chuva.

Os três atravessam, amigos unidos, embaixo de chuva e vento, a ruazinha em direção a sabe-se lá onde. Levam com eles olhares, vindos de pessoas bem vestidas abrigando-se sob guarda-chuvas e toldos, que dizem o quão bela é a visão daquele trio e o quanto há para se aprender com uma capa de chuva.

De repente, começa a chover dos olhos, e não só das nuvens.

Meu Velho Furgão

- Então, Francis, aquele meu velho furgão, lembra? Obrigaram-me a vendê-lo. É um saco. Eu fui atrás de um monte de possíveis compradores, coloquei anúncio no jornal, tava quase distribuindo panfleto... Ninguém o quer. Me deprime, isso.
- Mas, cara, é lógico que ninguém vai querer. O negócio é velho toda vida e, vamos combinar, tinha um cheirinho de não-sei-não...
- Qual é! Não acaba com meu carrinho! Ele foi meu primeiro amor, meu primeiro filho, meu melhor amigo... er, sem ofensas...
- Claro, claro...
- Enfim... Nele eu descobri o mundo! Fui para cidades grandes, de campo e históricas, fui para o meio do mato... Fiz as maiores loucuras, me diverti e conheci melhor as pessoas... Eu também comi meu primeiro burrito lá, tanto que até caiu guacamole e...
- Peraí, você nunca tinha comido burrito antes daquilo?
- É, você me apresentou a culinária mexicana.
- Nossa, isso é muito bizarro... Tipo, seu nome é Juan!
- Lá eu também ouvi muito rock, muito Beatles... Lembra de nós indo para o sho…

[Momentos de um Por-fora] Luzinhas de Natal

Aquele momento de depressão porque você está desde que acordou na sala arrastando móveis (incluindo uma limpeza do baú de discos) e montando a árvore de Natal (você DEITA NO CHÃO para colocar as luzinhas, inclusive), e então você vai colocar a ÚLTIMA PORCARIA DE ENFEITE na árvore e quando se afasta para olhar a obra prima... o melhor jogo de luz (que está saindo da caixa pela primeira vez) arrebenta um fio e não acende mais. 
Daí sua árvore está meio acesa (ou só um terço, se bobear).


Eu não quero mais viver nesse mundo. Ainda mais quando as pessoas da casa ficam "ah que pena" mas não entenderam que você passou por tudo aquilo para no fim PROVAVELMENTE TER QUE DESMONTAR TUDO E COMEÇAR DO ZERO.  É uma droga.

Rezo para meu pai amanhã saber arrumar essa bagaça.