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O Natal de Johnny


Naquela noite, os humanos de Johnny saíram todos juntos. Carregavam pacotes embaixo do braço e travessas com coisas gostosas e cheirosas que Johnny adoraria ter comido. Estavam arrumados, do tipo de roupa que eles usavam para sair, e quando Johnny percebeu teve esperanças, como sempre, de que fosse acompanhar a família.

Só que quando eles se despediram, com cara de pena, Johnny ficou bastante chateado. A menininha foi a que demorou mais para sair e largar Johnny sozinho. Mas ele não era um cãozinho de chorar nem nada. Ficou um tempo sentado perto da porta, esperando que seus humanos voltassem logo. Depois, foi até sua cama, sentou e esperou. Cochilou.

Em meio a um belo sonho envolvendo deliciosos petiscos e brincadeiras com seus dois humanos menores (a menininha e o menino), Johnny acordou e resolveu procurar comida. Encontrou seu ossinho, mas para fazer isso brincou de detonar a casa: derrubou latas de lixo, arrastou roupas e brinquedos, tombou um banquinho. Depois disso tudo, subiu na poltrona da sala (perto de um negócio muito estranho que seus humanos gostavam de colocar todo ano, cheio de luzinhas e bolas coloridas que ele não podia comer) e roeu o ossinho.

Mais um tempo passou e Johnny ouviu um barulho. Parou por alguns segundos sem erguer a cabeça, mas logo voltou a brincar... Só que o barulho continuou. Ele ergueu mais a cabeça e balançou as orelhas para escutar melhor. O barulho se aproximava: eram passos e alguma coisa chacoalhando... chegou perto da porta de casa e parou. O cãozinho quase deu de ombros, antes de virar-se para o osso. Mas logo percebeu que desistiu muito cedo. Um barulho esquisito na fechadura, diferente do que os seus humanos faziam quando chegavam, soou pela sala. Ele pôde ouvir algo passando pelo buraquinho e caminhando lentamente do hall de entrada até a sala.

Era um homem com uma barriga grande e barba branca e um monte de pacotes como os que seus humanos carregavam quando saíram. Mas este humano era desconhecido. Johnny olhava pelo braço da poltrona, meio escondido. O homem de roupa vermelha olhou ao redor e viu na mesa um copo de leite e biscoitos, que Johnny quis muito comer mas a menininha lhe disse "Estes são para o Papai Noel, Johnny, não coma!" e, muito obediente, ele resistiu. Achou muito estranho a menininha chamar outra pessoa de "papai", apesar disso.

Johnny, que estivera quietinho até agora, começou a roncar e latir ao ver o homem pegar um biscoito do pratinho. "São para Papai Noel, seu intruso! Não os coma!", ele dizia.

- Ho ho ho, mas veja só! Um cãozinho desesperado e sozinho! Como se chama amiguinho?
"Não vou contar meu nome à você! Está invadindo minha casa!"
- Horas, tudo bem, não vai falar... Acho que não gostou de eu ter comido o biscoito para o Papai Noel, certo? Bom, a culpa é minha, nem me apresentei... Eu sou o Papai Noel, amiguinho.
"... E fique avisado que eu mordo e... Espera aí. Você disse que você é o tal do Papai Noel? Ah..."

Johnny sentou-se encabulado e com cara de "acabaram com a minha graça". Então olhou para os biscoitos, porque sabia que se o dono da guloseima desse um pedacinho, ninguém poderia brigar por ele a ter comido. Tinha esperanças que o tal Noel fosse legal.

- Ah, quer um pouquinho? Achei muito legal você ter obedecido suas crianças e não ter tocado no pratinho, apesar de eu ver que bagunçou o resto todo da casa - disse Noel olhando para o corredor, onde se via um monte de roupas e brinquedos jogados - tome, pegue.
"Ah, muito obrigado, cara, valeu mesmo! Ei, até que você não é tão mal, foi mal por latir para você!"

Johnny deu uma lambida na mão do velhinho, depois de engolir o pedaço de biscoito. Viu o homem andar até aquela coisa estranha com luzes e bolas coloridas e deixar os pacotes embaixo dela, dizendo "que bela árvore", o que fez Johnny pensar "isso é uma árvore? Mas árvore não é onde eu faço xixi lá na rua? Puxa! Como seria legar andar na rua agora!".

O cãozinho balançava o rabo, sentado na poltrona, enquanto via o homem tomar o resto do lanche que a menininha deixou.

- Preciso ir, amiguinho. Mais pequenas crianças para alegrar neste Natal. Você verá, seus donos vão ficar muito felizes com a surpresa que lhes trouxe!
"Donos? Que donos? Eu que sou o dono deles e eles ainda me largam aqui!"
- Acho que você vai gostar também.
"Quê?"
- Tchauzinho!

Johnny o seguiu até o hall e viu quando ele encolheu e passou pela fechadura.

"Noel?"

A verdade é que ele tinha ficado tão feliz em ter uma pessoa fazendo companhia! E agora ele tinha ido embora também... Subiu novamente em sua poltrona e deitou a cabeça. Acordou pouco depois com a fechadura, só que dessa vez era o barulho que seus humanos faziam.

Pulou para o chão e foi correndo até a porta, onde todos começaram a comemorar a chegada em casa com ele e a fazer carinho em sua barriga. Até que a humana "mamãe" olhou para a "árvore" e disse:

- Vejam só, parece que Papai Noel já passou por aqui!

As crianças berraram e foram até a árvore ver os pacotes.

- Vamos ver o que temos para nossa menininha! - disse o "papai". Ela abriu e descobriu uma linda boneca que se parecia com ela e que tinha um cachorrinho que parecia com Johnny.
- Larga esse panetone, menino, vem ver o que ganhou! - disse a mãe rindo, dando-lhe um pacote que, quando aberto, revelou um video-game novinho.

As crianças estavam muito felizes e Johnny rolava nos papéis de presente, todo contente também.

- Tem algo para você também, Johnny! - Disse a menininha, surpresa e sorrindo.
"Para mim?"

As orelhas atentas, ele foi abrir o pacotinho com a menininha. E descobriu la dentro uma bela coleira com o seu nome, um ossinho novo e um bilhetinho que menininha leu para ele:

              "Ei, amiguinho!

              Achei que merecia um presente também!
              Feliz Natal!

              Noel"




Tentei terminar no dia de Natal, mas foi difícil. Ainda assim: Feliz Natal à todos!

Comentários

  1. Oi, gostei do post. Dá uma olhadinha no meu, mudei algumas coisas e citei você em um post. bj

    escritor-a.blogspot.com.br/

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