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Sob a Capa de Chuva

E então, enquanto a chuva despencava pela rua, menos fresca do que se esperava, mas mais forte do que desejado, ele passou.

Um cão grande, preto e marrom, talvez, caminhou descontraído (apesar de tímido) até o meio-fio. Usava uma capa de chuva transparente. Que fofo, um cão com capa de chuva, não? Mas ele está sozinho? Como um cão com capa de chuva é sozinho?

Ele olha para trás. Surge, no campo de visão, um homem; empurra um carrinho de supermercado com suas coisas, usa um casaco esfarrapado, é dono de uma aparência sofrida. Junto dele, mais outro cão marrom, grande, com capa de chuva.

Os três atravessam, amigos unidos, embaixo de chuva e vento, a ruazinha em direção a sabe-se lá onde. Levam com eles olhares, vindos de pessoas bem vestidas abrigando-se sob guarda-chuvas e toldos, que dizem o quão bela é a visão daquele trio e o quanto há para se aprender com uma capa de chuva.

De repente, começa a chover dos olhos, e não só das nuvens.

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