11 janeiro 2013

O Azarão [Markus Zusak]

Sol amarelo, céu avermelhado.
Primeira parte do sol. Franzindo a testa.
Última parte do sol. Um sorriso.
(Markus Zusak, O Azarão, p. 159)

É com esse tipo de poesia que Markus Zusak descreve os sonhos e os dias de Cameron Wolfe, um perdedor. Não tem amigos, obedece tudo que o irmão manda, não há atitude em Cam... O garoto nos narra seus dias e suas noites (em sonhos muito estranhos e belos) nesta história que é o primeiro romance de Markus e cujo protagonista, como diz na orelha, tem um quê de autobiográfico; adoro no resumo a frase final: "uma existência comum - ou seja, extraordinária". É disso que Zusak gosta (e sabe) de falar. É disso que "O Azarão" (Bertrand Brasil, 2012) vive.

Este é um livro que não consegui criar uma opinião de primeira. Foi preciso digerir tudo. Não sei se isso é bom. Mas, refletindo, posso dizer que é agradável e que um fã de Markus (como eu) percebe que é um ensaio para o que será "Eu Sou o Mensageiro" e "A Menina que Roubava Livros". Já há a poesia maravilhosa que Markus usa para contar suas histórias e já há o tema do garoto que não sabe para onde vai, que apareceu sob outras formas nos seus outros livros.

Pergunto-me se Markus não era assim. Perdido. Isso me faz me identificar muito com ele.


"O Azarão" acaba muito rápido. É um livro rápido. E a história se desenrola rapidamente também. Podemos dizer que é um pequeno retrato de um momento da vida de um garoto que começa a perceber os problemas à sua volta e como eles podem ou não se resolver. Por vezes é um pouco depressivo, pois Cameron é deprimido, além de apático. O garoto só começa a perceber o mundo e a necessidade de começar a viver, realmente, e não apenas de sobreviver, após conhecer a garota de seus sonhos. Não tem como contar muita coisa sem acabar contando a história do livro.

Ao fim, fiquei um pouco triste. Não quero dar spoilers. Mas há algo na história que me entristece. Posso dizer que o final foge ao esperado e é belo, tocante. Ao mesmo tempo, deixa um vazio e um sentimento de "mas já?". É por isso que também estou ansiosa para ler as continuações "Fighting Ruben Wolfe" (que no Brasil será "Bons de Briga") e "When Dogs Cry". 

Mais do que recomendado para fãs de Markus e para pessoas que sabem (ou querem saber) como é estar na pele de um Azarão (aliás, não gosto dessa tradução... azarão não remete tão bem ao significado de "underdog" para eles - por-fora, excluído, deslocado...). Em resumo, é um livro para sentir o crescimento de Markus como autor e reviver o seu próprio crescimento como pessoa, ao ver o menino Cameron descobrir que está na hora de tornar-se homem.

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Este livro não ia ser a primeira postagem da nova coluna "Sem Título", mas acabou sendo, pois terminei hoje e estou no mundo dele. Mas já tenho outras postagens em mente, aguardem. Agora, vamos à uma pequena reflexão sobre porque este livro veio ganhar seu espacinho aqui no blog.

Bom, num primeiro momento, está bem na cara: o título ("underdog" é a palavra inspiradora para o blog), o autor (um dos que mais amo na face da Terra) e a história (um garoto perdido na vida que não sabe de onde vem e para onde vai). Assim que descobri Markus com "A Menina que Roubava Livros" tive vontade de ler este livro, pelo nome e por ser o primeiro. Então foi extremamente emocionante quando o ganhei.

Acho que a grande reflexão aqui é quanto ao que estamos fazendo de nossas vidas: será que estamos sendo relevantes para nós mesmos e para as pessoas à nossa volta, fazendo coisas úteis e agradáveis? Será que estamos realmente agindo e vivendo, ou estamos apenas perambulando por aí sem saber mesmo o que estamos fazendo? Será que estamos dando a devida atenção para quem nos cerca?

Estas são algumas coisas que consegui pensar com o livro, mas, mais que tudo, essa história me tocou profundamente com a poesia. Markus escreveu do seu jeito poético em prosa alguns dos sonhos mais lindos e tudo que posso dizer, caro leitor, é que se você se identifica com um dos adjetivos sinônimos à "por-fora", você vai amar o livro. O azarão luta, sozinho, contra o mundo; poderíamos fazer diferente e nos juntar para vencer essa briga.


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3 comentários:

  1. parece interessante. a proposito preciso conversa com você sobre o nosso blog, tive umas ideias. bjs

    http://escritor-a.blogspot.com.br/

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  2. Olá, tudo bem?
    Hoje eu estava procurando algum livro do Markus que não fosse "A menina que roubava livros", pois este, inclusive, já li, e me deparo com seu blog e essa resenha maravilhosa*-* Me identifiquei de cara com o personagem principal, pois também me sinto perdida o tempo todo...

    Beijos,

    ser-escritora.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Olá, tudo sim, e você?
      Poxa, que bom que gostou da resenha, me sinto honrada *-* Ser perdido é ruim, eu também sou assim (por isso o blog tem o tema que tem rsrs)... Leia o livro, vai gostar :) e, se quiser mais um outro do Markus, leia Eu Sou o Mensageiro (se ainda não tiver lido), é perfeito também.

      Bjs

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