Pular para o conteúdo principal

Então... Um Rosto na Multidão

Eu quero lutar. Você não vai me ver parar. Porque eu sei que o mundo precisa de mudanças e elas precisam começar de algum lugar, mesmo que seja por causas menores (ainda que não existam causas menores). Você não vai me ver desistir, você me verá batalhando.

Posso ser apenas mais um rosto na multidão, mas é exatamente isso que quero ser, porque é isso que uma multidão é: um monte de rostos, bravos, querendo algo mais. Então, venha ser mais um rosto na multidão ativista, e não na passiva. Seja mais uma voz gritando seus direitos.

Não é possível que você não se incomode. Mesmo que sua vida esteja boa, assim como a minha, que você possa estudar, ter seu emprego, ter sua comida, comprar suas coisas (não tudo o que você quer, mas uma coisa ou outra), não é possível que você olhe para o mundo em sua tv ou computador que você lutou para comprar e não sinta nada ao ver... ver como há pessoas que não tem comida e água e que estão doentes, ver pessoas na seca do sertão com o gado morrendo e crianças chorando enquanto o chão racha aos seus pés, ver pessoas na Europa que não tem dinheiro, não tem emprego, nada, porque seu país faliu... ver as guerras, ver a desigualdade, ver a violência, ver a destruição do planeta.

Eu me recuso a crer que ao ver tudo isso você prefira continuar em seu sofá, criticando os manifestantes seja lá onde estejam, porque uma meia dúzia de idiotas quebraram um vidro ou porque o grupo todo parou um trânsito (que talvez nunca tenha sido bom). Recuso-me a acreditar que você não sinta nenhuma vontade de dar às pessoas que sofrem a oportunidade de ter pelo menos um pouco de condição e dignidade, pelo menos um pouco do que você tem (por mais utópico que a ideia de um mundo totalmente equilibrado possa ser)... Pois, caso você nunca tenha sentido isso, eu simplesmente só posso dizer que tenho pena e que você continuará em seu sofá reclamando, pois aqueles que querem mudar o mundo não irão parar.

Já você que sente algo... aconselho a se reunir à multidão e gritar a uma só voz.

As coisas nunca começam pelo clímax. Tudo tem que ter um estopim, um princípio em algo menor, algum detalhe que serviu de gota d'água... É então que isso servirá de incentivo para cada vez mais e mais, para uma revolução.

Eu não quero ser a pessoa do sofá. Tenho sede de mudança. Quero estar com a multidão que já ergue seus copos. Serei mais um dos vários rostos... E não é que houve uma multidão de rostos coloridos de tinta que marcou a história um dia?


Eu apoio a causa das manifestações ao redor do Brasil contra o aumento das passagens do ônibus (que não são só por isso), a favor de um transporte público digno e decente, que faça com que os trabalhadores não se sintam abusados. Três reais por um ônibus quente, cheio de gente em pé, inseguro e que ficará horas no trânsito, é muito.

Por isso, fiz um texto na voz de um manifestante.

Eu poderia fazer um texto debatendo o assunto, argumentando, dando meu ponto de vista. Mas eu quis mostrar minha sede e meu orgulho. Me emociono em ver o povo acordando. Posso vê-lo se espreguiçando, coçando os olhos e ficando perplexo com o caos ao seu redor. Ele vai se levantar e querer arrumar a bagunça e é isso o que me dá orgulho: ver as massas de pessoas nas ruas.

Para aqueles que não sabem da história completa de tudo o que está acontecendo, no caso de São Paulo, todos os lados da história, existem inúmeros lugares para você ver. Indico: "Momentos dos protestos que você não verá na tv", "Não é sobre 20 centavos" e "Feridos no protesto em São Paulo", todos resumindo bem os vídeos, fotos e depoimentos mais importantes sobre tudo isso. Inclusive, este depoimento é do dia 11, não 13, e mostra que o movimento é pacífico desde o começo, mas que só foi anunciado assim depois que os jornalistas apanharam também. Além disso, algo que provavelmente não será noticiado é isso aqui.

Por último, quero deixar claro que só estou apontando lugares com conteúdo variado mostrando diversos fatos e escrevendo um texto sobre como gosto do fato de que o mundo não está inerte. E, mais especificamente, que o Brasil está deixando de o estar.

Comentários

Postagens mais visitadas

Peões

Hoje, somos peões.

Na grande batalha da humanidade por um passo a mais, um nível a mais em direção à utopia que imaginamos, nós somos os peões.

Há sangue. Há dor.

Há a busca pela aceitação. Somos um. Um grande pequeno pedaço de um enorme universo. Isso é lindo. Isso é esquecido. Enterrado abaixo de muita sujeira e palavras de dor, de culpa, de ódio.

Há busca pela verdade. Porque mentem e enganam, ou porque muitos se intitulam proprietários das respostas para tudo e aqueles que creem nessas respostas lutam cegamente por elas. Ou mentem e enganam e tiram dos outros tudo aquilo que têm.

Busca-se dignidade. Busca-se justiça. Busca-se orientação.

Há a destruição de tudo o que se vê. Tudo o que existe em perfeito equilíbrio na grande engrenagem da vida... desequilibrada, e não há remorso por isso. Há morte, há destruição e não há quem veja que destruir o meio é destruir a si.

Destruir o próximo é destruir a si.

Uma palavra de ódio. Um galho arrancado. Uma liturgia mal pregada. Um lí…

As minhas Bienais do Livro

Mais um ano de Bienal do Livro de São Paulo passou por aí. Mais um monte de dias de livros, autores, leitores, cosplays, cenários e brindes.

Um dia em que fui eu.

Depois de um longo tempo sem ter vontade e energia para ler e escrever, comecei a voltar para este universo, pouco a pouco. Escrevi aqui e ali, voltei com o blog e comecei a ler um livro no meu Kobo.

Aí veio a Bienal e fiz minha listinha. Compraria coisas para dar aula e HQs que queria há muito tempo. Não achei as HQs, não comprei livros para dar aula, comprei outros que sempre quis ou que me interessei na hora. Comprei jogos. Comprei colecionáveis.

Mas a parte mais legal foi interagir com autores e leitores e divulgar o por-fora. Cumprindo, de certa forma, o que prometi há tanto tempo...

Vamos passear um pouco pelas minhas Bienais.

Há oito anos, quando estava no Ensino Médio, fui com a escola em minha primeira Bienal. Rendeu alguns livros, um botton que amo muito (eu coleciono e amo demais) e muitas fotos épicas com os amig…