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Um banquete de vinte centavos


Vem dia dezessete e o Brasil amanhece diferente. Não está ligado no futebol, não é carnaval. Está em clima de fúria, de basta.

Milhares de pessoas saem para as ruas em todo o país, sejam cidades grandes ou pequenas. E é então que surge o futuro no presente e tudo vira uma coisa só... porque ontem o Brasil era uma massa de pessoas sentadas confortavelmente de frente para a TV ou a Internet. Hoje, ele é uma massa nas ruas gritando por tudo o que engoliu durante décadas e clamando seus direitos. Hoje ele pegou na caneta e começou a riscar traços do futuro.

Ontem eu olhava para frente e via minha rotina comum, me preocupava com o que faria nas férias e com minhas metas de leituras, filmes e séries. Então, repentinamente, meu cérebro sofreu um curto ao ver o Brasil parando para ir às ruas, em centenas de cidades (inclusive no resto do mundo).

Imagino se minha dor de cabeça não seja muita informação ao mesmo tempo.
É estranho. Sim, claro, é maravilhoso. Chorei muito ao ver tudo aquilo. Meu sonho infantil, meu objetivo de vida, de mudar algo no mundo, pode se realizar: posso ir para as ruas lutar por uma causa e ser ouvida, porque tenho gente comigo! Mas, ao mesmo tempo, é tão estranho olhar ao redor e não saber bem como vai ser amanhã.

Filosofe comigo: todos dizem que nunca se sabe o dia de amanhã. Só que você sabe sim. Você se acostuma com uma realidade, um estado, e quando olha para a frente tem no que se basear para imaginar o que pode acontecer... e se do nada algo chocante aparece e racha com alguma coisa em sua rotina, você não tem mais essa base... sua visão do futuro fica turva. Acho que a geração anterior à minha, para trás, entende isso: eles passaram demais por coisas assim. Mas nós, nós não fazemos ideia de como é... Nós não passamos por coisas assim porque crescemos na "era glacial" do Brasil, na era conformada.

Eu não consigo acompanhar, ao mesmo tempo em que tudo o que quero é ficar acompanhando.

Mas, em meio a todas estas incertezas (que são mais do que as que citei), eu vejo o povo belo que todos sabíamos que existia. Eu vejo a oportunidade prontinha para ser agarrada e aproveitada.

Mais que isso: eu vejo o Brasil, todos aqueles milhões de brasileiros, despertando e olhando ao redor, vendo a mesa posta e mal conseguindo se conter sobre o que comer primeiro. Quer pegar tudo, provar tudo... e tem que ser rápido, urgente. Está eufórico.

Vejo um país cujas pessoas, a uma só voz, gritam que amanhã tem mais, que não fogem à luta e que estamos indo para a maior arquibancada do Brasil. Um povo que já tomou seu lugar de direito... literalmente.

Estamos acordados, a mesa está posta e mal podemos esperar para saboreá-la. É um banquete cheio de vinte centavos.

Texto escrito por volta do dia 19 de Junho, em um momento refletindo sobre a história sendo escrita diante de meus olhos. Aqui vão um convite e um motivo/desabafo para você, que também gostaria de colocar aqui no post. O internet está tão cheia de fotos e vídeos maravilhosos que é difícil escolher um para colocar aqui. Enfim, vamos para a rua, pessoal. Chegou a hora de não sermos mais invisíveis, por-fora, agora é hora de sermos gigantes!

Comentários

  1. genial a metáfora da mesa posta. direitos como comidas. um povo faminto, faminto de direitos. muito pertinente.

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  2. Acho que entendo essa insegurança de "o que será que vai acontecer amanhã?" Porque realmente estávamos todos acostumados com a rotina e de repente acontece um movimento enorme, e tudo muda. Mas fico feliz por ser assim, porque sei que os brasileiros estão mudando, estão acordando e lutando pelos seus direitos.

    Doce Quinta-feira

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  3. Adorei seu texto e concordo absolutamente com o seu ponto de vista.
    Tenho orgulho de fazer parte da juventude que está acordando o Brasil para o mundo, ou melhor, acordando o Brasil para si mesmo.

    Beijos,
    www.segredosentreamigas.com/

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