Pular para o conteúdo principal

Algumas Lembranças

Tomar café. Ver e ler livros, montes deles. Comprar pipoca, tropeçar e cair e lembrar disso todas as vezes que entrar no cinema. Ser um pé-colé e sempre dar problema no carro. Brincar de foca, com a bola equilibrada na cabeça, e sentir-se um elefante por ainda lembrar disso. Ir em shows dos seus sonhos e estar tão loucamente feliz que nem lembra de tirar uma foto com quem te levou lá (mas corrigir o erro no show seguinte). Ser consultada sobre filmes porque tem alguém para ir junto ao cinema todos os fins de semana e ver todo o tipo de filme. Conhecer cachoeiras. Comer ceias de Natal em datas adiantadas. Aprender matemática e física. Chocolate e amendoim. Copos saídos do congelador com uma super pedra de gelo para resfriar o refrigerante. Pequenas invenções curiosas que ninguém tinha pensado antes, por mais óbvias que pareçam (ou não). Pescar uma vara de pescar que foi capturada por um peixe. Ir a museus lindos. Feira de antiguidades. Galeria do Rock. "Me solte". "Piquepique". Tranqueiras. Filosofar. Parar em todas as vitrines de relógio. Parar em todas as livrarias. Assistir House. Ouvir música boa no carro. Ouvir música boa em casa. DVDs de shows e clipes. Redescobrir músicas de quando era muito criança. Receber pedidos impossíveis de músicas para tocar no violão. Gostar de coisas nerds. Arma anti-ET. Bienal do Livro. Escalar até subir em seus ombros e sentir-se a pessoa mais alta do mundo.

Um fluxo de lembranças de quase vinte anos vem a cabeça. O meu presente é juntar um monte de palavras e dizê-las, tentando contar algumas dessas imagens que tem um personagem principal. Um personagem cujo dia é hoje. Todos os filmes, músicas, livros e aventuras não passam de uma pequena parte de uma história bem mais grandiosa. A história por trás daquele fluxo cheios de lembranças do meu pai.




Feliz dia dos pais para o melhor pai do mundo!

Comentários

Postagens mais visitadas

A História de Tudo

Havia uma rua, com árvores, e alguém a atravessava. Tudo ali era um pedaço de Universo.
Um pedaço da vasta história de tudo.
A pessoa que a atravessava. O chão. As árvores. O vento que soprava.

Cada átomo e molécula uma combinação de combinações em uma grande e infinita caixa de peças de montar. Encaixe como queira. Pegue um pouco de estrelas, um pouco de dente de sabre, um pouco de cometas, um teco de folhas de hortelã. Ali vai uma bicicleta.

Cada canto para o qual olhava, via uma infinidade de possibilidades.
Não viu aquela galáxia, velha conhecida, colidindo consigo.
No chão, riram. Ondas se propagando por todo o espaço. Ergueram-se. Sorriram.

Era nébula. Nefertiti. Pétalas de rosa e gotas de mar do pacífico.
Era asteroides. César. Marfim e casca de salgueiro.
A vastidão da amazônia na imponência de Júpiter, olho no olho.

O Universo. É. Simplesmente. Desde quando começou a ser. Sem mais, sem menos. Apenas reorganizando-se como uma lista de pensamentos, uma sucessão de pastas. Combinando-se…

Leite com Vodka

Sua bebida favorita sempre foi leite. Aquele líquido branco e um pouco denso, que bebês adoram. Bebia com tudo: chocolate, morango, groselha... Era um bebedor. Seus lanches não eram feitos sem leite. E se não o bebia, misturava em algum outro ingrediente. Sucrilhos, frutas batidas. Nutritivo da cabeça aos pés. O alimentava por dentro e ele consumia com orgulho.

Então cresceu. Você sabe, quando crescem eles mudam os interesses. Não mais desenhava os programas que via. Agora via apenas a parede do quarto e festas banhadas a vodka. Ah, a vodka. Virou sua bebida preferida, com toda certeza. Aquele cheiro forte no líquido transparente, que jovens usam para se mostrar descolados. Bebia com tudo: frutas batidas, sucos, refrigerantes, sem nada. Virava uma dose e outra. Descolado da cabeça aos pés, na moda, inteiramente parte do grupo.

Mas a vida não era só Leite ou Vodka. Pelo menos não mais. Foi em mais um dia de Vodka que a encontrou. Ela lhe sorriu e ele se aproximou. Parece que foi à …

Outro Estranho na Janela

Leia a primeira parte dessa história: Um Estranho Na Janela
Texto para a oficina criativa do colégio, inspirado na imagem de uma edição do Bloínquês que não consegui participar porque não consegui escrever o texto a tempo.
Dedicado aos Chapeleiros e Alices do mundo.
O sol dourado de outono brilhava a meio caminho do chão. A moça sentava-se em uma telha mais macia, no telhado de sua casa. Usava um vestido confortável e tinha os pés descalços. Largou o pequeno livro amarelo que lia no peitoril da janela e viu as árvores se espreguiçarem.

Nas casas ao redor, cachorros latiam para os donos que chegavam mais cedo. Crianças vinham sorrindo da escola. Um dia comum e pacato.

Alice gostava de sentar-se no telhado desde a noite em que seu irmão disse ter visto Papai Noel na janela. Fora tão surpreendente ouvir Felipe dizendo aquilo, já que ele costumava ser tão chato e estraga-prazeres, que seu passatempo virou sentar-se no telhado e esperá-lo.

Mas um dia todos crescem e Alice parou de acredit…