Peões

Hoje, somos peões.

Na grande batalha da humanidade por um passo a mais, um nível a mais em direção à utopia que imaginamos, nós somos os peões.

Há sangue. Há dor.

Há a busca pela aceitação. Somos um. Um grande pequeno pedaço de um enorme universo. Isso é lindo. Isso é esquecido. Enterrado abaixo de muita sujeira e palavras de dor, de culpa, de ódio.

Há busca pela verdade. Porque mentem e enganam, ou porque muitos se intitulam proprietários das respostas para tudo e aqueles que creem nessas respostas lutam cegamente por elas. Ou mentem e enganam e tiram dos outros tudo aquilo que têm.

Busca-se dignidade. Busca-se justiça. Busca-se orientação.

Há a destruição de tudo o que se vê. Tudo o que existe em perfeito equilíbrio na grande engrenagem da vida... desequilibrada, e não há remorso por isso. Há morte, há destruição e não há quem veja que destruir o meio é destruir a si.

Destruir o próximo é destruir a si.

Uma palavra de ódio. Um galho arrancado. Uma liturgia mal pregada. Um líder mal eleito. Um caminho mal escolhido.

Destrói. A si.

E a grande questão é que para dar o passo, precisa haver caos.

Como sair do caos se não se enxerga a saída?

Há a dor. Ninguém sente a dor. A dor do outro é apenas do outro.

Quem vai aprender sobre tudo isso? Quem vai sentir tudo isso?

A cada tempo há um novo grupo de engrenagens colocados na máquina do mundo. Eles são responsáveis por empurrar, a seu modo, o mundo para frente. O cosmos não liga como. O cosmos não liga se você vai pra frente, de qualquer forma. Mas nós sim. Os que sentem. Os que aprendem. Os que veem.

As engrenagens têm escolhas e, a trancos, empurra o mundo.

Existe caos. As engrenagens de agora são de grande transição entre o status quo e a nova era. Elas são os peões e escudos para trazer todas as novas para seus lugares.

Elas tomam os tiros, as flechadas, elas sangram por dentro e por fora.

Mas elas veem amor. Elas veem esperança. Há tudo aquilo mas há tanto mais. Há um sorriso a noite no escuro, com piadas bobas, e um beijo na bochecha pela manhã, com risadas tolas, e um abraço ao entardecer, com saudades e um coração aquecido.

Elas, em seus lugares a que escolheram pertencer, em suas lutas que escolheram ou não lutar, dizem para as outras:

Lute suas batalhas. Não importa quem vá contra, em meio ao caos do pó deste enorme campo, vá em frente. Faça o que precisa fazer. Erga o pé para o próximo degrau.

Lute suas batalhas até o fim.
Bem vinda de volta, Lutadora.
A todos os que não desistiram de empurrar esta autora para frente e fazê-la crer que deveria lutar. A todos os que, há muito ou há pouco, inspiram as palavras que escrevo: Obrigada por acreditarem

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