Hoje eu vi uma borboleta

Hoje eu vi uma borboleta. Ou será que ela que me viu?
Pedalando, distraída do mundo, focada no destino, passou.
Veio do outro lado em minha direção, quase um encontrão.
Olho para o lado e ali está ela: em meu braço direito, as asas em tons de marrom e vermelho e laranja e amarelo. Abre e fecha as asas.
Fica ali, acompanhando meu caminho. Quieta, calma. O vento batendo em si.

Segue na carona um longo percurso.
Preciso de uma foto, preciso de um texto.
Paro, posamos e ela voa.
Vejo-a voar para longe, minha nova amiga.

Como uma visão do futuro. Em meio a todo o entorpecimento quanto ao mundo, em meio ao vazio e o nada, vem aquele pequeno ser trazer uma pequena alegria para um dia ruim.

Ao deitar no travesseiro, não penso na dor do dia.
Penso nas asinhas balançando com o vento; nas pedaladas tranquilas para que não se espantasse; no voo satisfeito como quem termina uma carona que lhe vem a calhar.
Penso na borboleta e nas palavras que não me disse mas me deu.

07/12/17

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